23:03 11 Abril 2021
Ouvir Rádio
    Ásia e Oceania
    URL curta
    283
    Nos siga no

    A enviada especial da ONU para Mianmar, Christine Schraner Burgener, disse nesta quarta-feira (31) que os grupos armados étnicos estão aumentando a possibilidade de guerra civil no país em um nível nunca visto antes.

    Durante uma reunião a portas fechadas do Conselho de Segurança da ONU, a enviada da ONU afirmou que "as organizações armadas étnicas nas fronteiras oriental e ocidental têm se manifestado cada vez mais em resposta à brutalidade dos militares".

    "A crueldade dos militares é muito severa e muitas organizações armadas étnicas estão assumindo posições claras de oposição, aumentando a possibilidade de uma guerra civil em uma escala sem precedentes", disse Schraner Burgener.

    A diplomata suíça teme um "banho de sangue" ainda maior, já que os militares seguem reprimindo os protestos pró-democracia com violência.

    "Apelo a este Conselho para que considere todas as ferramentas disponíveis para tomar ação coletiva e fazer o que é certo, o que o povo de Mianmar merece e prevenir uma catástrofe multidimensional", disse Burgener, citada pela AFP.
    Manifestantes protestam contra o golpe militar em Mianmar, na cidade de Launglon, em 30 de março de 2021
    © REUTERS / Dawei Watch
    Manifestantes protestam contra o golpe militar em Mianmar, na cidade de Launglon, em 30 de março de 2021

    Mais de 520 pessoas morreram nas manifestações realizadas diariamente no país desde que os militares derrubaram a líder eleita Aung San Suu Kyi em 1º de fevereiro, interrompendo a experiência democrática de uma década em Mianmar.

    Burgener disse que permanece aberta ao diálogo com os militares, mas acrescentou: "Se esperarmos apenas quando eles estiverem prontos para conversar, a situação só vai piorar. Um banho de sangue é iminente".
    Manifestantes em confronto com militares durante protestos em Mianmar, no dia 29 de março de 2021
    Manifestantes em confronto com militares durante protestos em Mianmar, no dia 29 de março de 2021

    No início desta quarta-feira (31), a equipe jurídica de Suu Kyi disse que a líder deposta, de 75 anos, parecia estar bem de saúde, a despeito dos dois meses de detenção.

    Suu Kyi não foi vista em público desde que foi deposta, mas um membro de sua equipe jurídica, Min Min Soe, falou com a líder mianmarense via videoconferência em uma delegacia de polícia na capital Naypyidaw.

    "A situação física de Suu Kyi parecia boa de acordo com sua aparência na tela do vídeo", disse a equipe jurídica da líder deposta por meio de comunicado, segundo a AFP.

    Suu Kyi está enfrentando uma série de acusações criminais e a condenação pode impedi-la para sempre de assumir cargos políticos.

    Manifestantes se protegem atrás de barricadas durante protesto reprimido pelos militares, em Mandalay, Mianmar, em 27 de março de 2021
    Manifestantes se protegem atrás de barricadas durante protesto reprimido pelos militares, em Mandalay, Mianmar, em 27 de março de 2021

    No último sábado (27), a ONU se declarou "chocada" com o alto número de mortes em Mianmar. Aquele foi considerado o dia mais sangrento do país desde o início do golpe militar.

    Mais:

    Protestos em Mianmar terminam com 2 pessoas mortas e ao menos 10 feridas (FOTOS, VÍDEO)
    G7, Estados Unidos e União Europeia condenam golpe em Mianmar e pressionam militares com sanções
    EUA adotarão novas medidas contra Mianmar
    Embaixador de Mianmar na ONU é demitido após defender manifestantes em discurso, diz TV estatal
    Tags:
    violência, guerra civil, golpe militar, golpe, ONU, Mianmar
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar