13:40 17 Abril 2021
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    As forças afegãs não poderão funcionar de maneira independente em 2024 sem o apoio dos Estados Unidos, disse hoje (10) o Inspetor-Geral Especial para a Reconstrução do Afeganistão (SIGAR, na sigla em inglês), John Sopko.

    Sopko fez essas declarações nesta quarta-feira (10) durante um evento no Centro de Assuntos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês), um think thank sediado em Washington, D.C.

    "O Departamento de Defesa [dos EUA] não considera realista o objetivo de uma força de segurança afegã autossuficiente economicamente para 2024", disse o inspetor-geral especial.

    Sopko acrescentou que Washington considera que o governo afegão não consegue administrar de forma eficaz o dinheiro que recebe atualmente de doadores internacionais, especialmente para financiar as suas forças de segurança, e que não poderá operar um sistema de controle de pagamentos de última geração, que vem sendo proporcionado pelos EUA durante muitos anos.

    "O Exército norte-americano acredita que o governo afegão ainda está muito distante de poder assumir a propriedade, a gestão e a manutenção do sistema de controle de pagamentos de US$ 50 milhões [cerca de R$ 287 milhões] que existe para garantir que o contribuinte norte-americano não pague por soldados 'fantasmas' afegãos, que apenas existem no papel, e que os salários de militares e policiais não acabem nos bolsos de funcionários corruptos", explicou Sopko.

    Se o objetivo do esforço de reconstrução liderado pelos Estados Unidos é erguer um Estado afegão forte, estável e autossuficiente, capaz de assegurar os interesses de segurança nacional dos Estados Unidos e os seus próprios, esta é uma missão que ainda não foi cumprida, assinalou Sopko.

    Em sua manifestação no evento no CSIS, o Inspetor-Geral Especial para a Reconstrução do Afeganistão também comentou sobre a possibilidade de o governo do país asiático colapsar sem assistência externa, o que abriria espaço para as forças do Talibã (organização terrorista proibida na Rússia e em outros países), que poderiam rapidamente assumir o controle da capital Cabul. 

    "Se a assistência estrangeira acabar, as forças do Talibã poderiam chegar aos arredores de Cabul em pouco tempo", disse o inspetor-geral especial. "Atualmente, as empresas contratadas fornecem 100% da manutenção para os helicópteros UH-60 e os aviões de carga C-130 da Força Aérea afegã, e para uma porção significativa das aeronaves leves de apoio de combate", acrescentou.

    Hoje, mais de 18.000 empresas que prestam serviços para o Departamento de Defesa atuam no Afeganistão. No entanto, com base nos termos do acordo existente entre EUA e Talibã, muitas delas, se não todas, inclusive as responsáveis por logística, manutenção e treinamento, terão que deixar o país, segundo Sopko.

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    Tags:
    Talibã, Forças Armadas, forças de segurança, retirada, SIGAR, Afeganistão, EUA
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