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    Nesta segunda-feira (8), três pessoas foram mortas a tiros em Mianmar durante manifestações contra o golpe militar no país, enquanto os trabalhadores tentam paralisar a economia com greves após um fim de semana de prisões.

    O país está em crise desde o golpe militar em 1º de fevereiro, que destituiu a líder civil Aung San Suu Kyi e desencadeou grandes protestos contra a nova junta militar.

    A polícia e os militares responderam com uma repressão cada vez maior contra os manifestantes, com mais de 50 pessoas mortas e quase 1.800 detidos.

    Apesar do risco, os manifestantes se reuniram hoje (8) em partes de Rangum, o principal centro econômico de Mianmar, em Mandalay, a segunda maior cidade do país, e em outras localidades. Em algumas áreas, as autoridades, mais uma vez, responderam com força contra os protestos.

    Forças militares de Mianmar botaram blindados nas ruas para reprimir manifestações em Yangon, no dia 14 de fevereiro de 2021.
    © AFP 2021 / Sai Aung Main
    Forças militares de Mianmar botaram blindados nas ruas para reprimir manifestações no país

    Na cidade de Myitkyina, no norte, segundo a Agência France-Presse, as forças de segurança usaram gás lacrimogêneo e abriram fogo durante confrontos de rua com manifestantes que atiravam pedras.

    "Dois homens foram mortos a tiros no local, enquanto três outros, incluindo uma mulher, foram baleados no braço", disse um médico à AFP.

    Um terceiro manifestante foi morto a tiros na cidade de Pyapon, na região do delta do rio Irauádi, disse uma testemunha ocular e um oficial de resgate à AFP.

    Em Rangum, as forças de segurança invadiram o escritório do meio de comunicação independente Myanmar Now.

    "Posso confirmar que nosso escritório foi invadido na tarde de hoje [8] por um grupo de soldados e policiais", disse o editor-chefe Swe Win à AFP. "Eles pegaram computadores, peças de nosso servidor de dados e uma impressora", acrescentou.

    Além disso, bancos, lojas, shopping centers e algumas fábricas de tecidos foram fechadas após um apelo pelos sindicatos por uma greve geral que paralisasse a economia do país.

    "Continuar com as atividade econômicas e os negócios [...] beneficiará apenas os militares, enquanto eles reprimem a energia do povo de Mianmar", escreveram 18 associações em um comunicado, segundo a AFP. "A hora de tomar ações em defesa de nossa democracia é agora", acrescentaram os sindicatos.
    Manifestantes durante protesto contra o golpe militar em Rangum, Mianmar, 24 de fevereiro de 2021
    © REUTERS / Stringer
    Manifestantes durante protesto contra o golpe militar em Rangum, Mianmar, 24 de fevereiro de 2021

    As associações pretendem intensificar o "Movimento de Desobediência Civil", uma campanha que pede que os funcionários civis do governo boicotem o trabalho enquanto os militares controlarem o país, uma ação que já vem debilitando com força o funcionamento da máquina estatal.

    O impacto está sendo sentido em todos os níveis da infraestrutura nacional, com paralisações em hospitais, escritórios ministeriais vazios, e bancos sem capacidade de operação.

    A junta militar, por sua vez, anunciou hoje (8) que os funcionários públicos civis serão "demitidos" sumariamente se continuarem com as paralisações.

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    Tags:
    repressão, protestos, golpe de Estado, golpe militar, Mianmar
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