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    Da relação mais aproximada com Taiwan a navegações realizadas por navios da Marinha norte-americana, a China encara tais ações como afrontas, o que torna o clima "quente" na região.

    Na quarta-feira (17), em entrevista para o Defense Review, programa transmitido pela emissora estatal chinesa CCTV, dois especialistas em defesa chineses, Du Wenlong e Zhang Bin, alertaram que o aumento de vendas de armas e apoio político a Taiwan por parte dos EUA, em conjunto a constantes navegações de navios norte-americanos no estreito, são ações que vêm provocando a ira da China, e que tornam a região o ponto mais quente na atual geopolítica mundial, segundo a revista Newsweek.

    A China persiste em dizer que Taiwan é uma província renegada, a qual está determinada a trazer de volta sob seu controle, e por meio da força se necessário. No final de janeiro, o Ministério da Defesa chinês declarou que "a independência de Taiwan significava guerra".

    Wenlong diz que o uso do Exército de Libertação Popular (ELP) para pressionar Taiwan está "muito eficaz", visto que foi percebido como uma "ameaça credível" pelas autoridades da ilha autogerida. Como resposta, Taipé compra cada vez mais armamento dos EUA, como no ano passado, quando fechou seis contratos para compra de armas no valor de US$ 11,8 bilhões (cerca de R$ 64,5 bilhões), segundo a mídia.

    "Um em cada 50 novos dólares taiwaneses ganhos agora vai para o pagamento de armas aos EUA", disse Wenlong citado pela mídia.

    Além da venda de armas realizada pelo governo do ex-presidente, Donald Trump, há também apoio declarado por parte da nova administração à ilha. Joe Biden declarou apoio "sólido como uma rocha" a Taiwan, e nas primeiras semanas como presidente, enviou um navio de guerra da Marinha dos EUA para o estreito, enquanto dois porta-aviões realizaram exercícios militares no mar do Sul da China.

    Todos esses eventos são vistos como provocações por parte do governo chinês, que tem a intenção de ver uma política e defesa cada vez mais enfraquecidas em Taiwan para dominar o território novamente, segundo a mídia.

    Para os especialistas, o apoio dos EUA a Taiwan no quesito político e bélico, cria na ilha um certo tipo de fantasia de que se a China entrar em guerra, os EUA estariam ali para defendê-los.

    "Taiwan aposta que os EUA venham em sua defesa, mas a interferência norte-americana é a raiz do problema", disse Bin citado pela mídia.

    Para Shu Hsiao-huang, analista de estratégia do Centro de Estudos de Segurança Nacional de Taiwan, a China acompanha a solidez que vem se criando entre Washigton e Taipé, sem perceber que essa foi uma situação criada por Pequim, e uma revisão é necessária sobre sua postura diante da ilha.

    "Pelas constantes provocações e ameaças de guerra de Pequim, os EUA agora veem a China como o causador de problemas e como fonte de instabilidade regional. É por esta razão que Washington estava disposto a quebrar as barreiras para estreitar os laços EUA-Taiwan, incluindo o aumento de vendas de armas", disse Hsiao-huang, citado pela mídia.

    Enquanto impasses são vividos no estreito de Taiwan e nas águas do mar do Sul da China, a presença norte-americana seja nas políticas com Taipé ou através de sua Marinha nas águas da região, criam um ambiente de constante tensão com a China, tornando essa parte do globo um dos pontos quentes da geopolítica mundial em 2021.

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    Tags:
    geopolítica, Estreito de Taiwan, EUA, China
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