12:14 22 Junho 2021
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    Embarcações da Guarda Costeira chinesa receberam vários avisos ao se aproximarem de barco pesqueiro japonês, um ato que é entendido como provocador.

    Na segunda-feira (22), a Guarda Costeira chinesa tentou inúmeras vezes se aproximar de embarcações japonesas no mar do Sul da China. A tentativa poderia corresponder aos esforços de Pequim em acertar sua dominância sobre as ilhas Senkaku, disputadas entre os dois países, acreditam analistas, citados pelo South China Morning Post.

    Durante o último fim de semana, duas embarcações da Guarda Costeira chinesa foram vistas tentando repetidamente entrar em águas territoriais japonesas, tendo até mesmo se aproximando de um barco de pesca japonês com três tripulantes que navegava perto das disputadas ilhas Senkaku que, por sua vez, se encontram sobre controle administrativo do Japão, de acordo com declarações da Guarda Costeira japonesa.

    Um navio-patrulha japonês aproximou-se do barco de pesca para garantir sua segurança e, em seguida, avisou à Guarda Costeira chinesa para se retirar, mas sem efeito, pois outras duas embarcações chinesas também foram vistas navegando na chamada zona contingente, bem do lado de fora das águas territoriais do Japão, sendo que uma delas parecia estar armada com um canhão automático.

    Membros da Guarda Costeira chinesa no mar do Sul da China (foto do arquivo)
    © AP Photo / Renato Etac
    Membros da Guarda Costeira chinesa no mar do Sul da China (foto do arquivo)

    James Brown, professor de Relações Internacionais do Campus de Tóquio da Universidade Temple, disse esperar "uma séria escalada da situação", uma vez que Pequim está trabalhando para solidificar suas reinvindicações territoriais. O professor adicionou que "o próximo passo mais lógico seria que os chineses apreendessem uma embarcação e prendessem quem estivesse a bordo da mesma", o que causaria, inevitavelmente, uma resposta de Tóquio, citado pela mídia chinesa.

    Go Ito, professor de Relações Internacionais da Universidade de Meiji, em Tóquio, concorda que as ações conduzidas pelas embarcações chinesas são "altamente provocatórias", mas não acredita que a China tivesse a intenção de apreender navios japoneses.

    "O novo presidente dos EUA acabou de tomar posse e, muito provavelmente, os chineses estão testando as águas para ver como Washington reage a estes incidentes", apontou Ito, citado pelo South China Morning Post.
    Uma das ilhas pequenas no mar da China Oriental conhecido como Senkaku no Japão e Diaoyu na China (foto de arquivo)
    © AP Photo / Xinhua
    Uma das ilhas pequenas no mar da China Oriental conhecido como Senkaku no Japão e Diaoyu na China (foto de arquivo)

    Esta é a nona vez que embarcações chinesas atravessam águas das ilhas Senkaku, sendo que na semana passada os EUA advertiram a China do uso da força em águas disputadas. Porém, até agora, nem o governo japonês nem o Departamento de Estado dos EUA comentaram estes últimos incidentes no mar do Sul da China.

    Tóquio, no entanto, não perdeu tempo em extrair promessas de Washington em apoiar sua posição nas ilhas Senkaku, logo após Joe Biden tomar posse como presidente dos EUA.

    Brown conta que o Japão teve outra chance de fortalecer suas reinvindicações nas ilhas Senkaku em 2012, o que foi considerado "provocador demais" na época.

    "Por agora, a China continua lançando suas táticas que fazem parecer que o Japão está perdendo controle administrativo sobre as águas ao redor das ilhas [...]. E se o Japão não consegue controlar essas águas, então também não conseguirá administrar as ilhas. Eu diria mesmo que parece que o Japão está perdendo controle das ilhas Senkaku", comentou o professor Brown, citado no artigo.

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    Tags:
    tensão geopolítica, disputa territorial, Ilhas Senkaku, Mar do Sul da China, China, Japão
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