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    O general que assumiu o controle de Mianmar mostrou hoje (11) que está perdendo a paciência com os protestos contra o golpe militar no país e ordenou que os manifestantes retornem ao trabalho, ou enfrentarão "ações efetivas".

    O aviso chega após seis dias consecutivos de manifestações contra o golpe militar que destituiu a líder civil e conselheira de Estado Aung San Suu Kyi, e depois que o presidente dos EUA Joe Biden anunciou ontem (10) a imposição de sanções contra os generais.

    Enquanto as manifestações têm sido majoritariamente pacíficas, as forças de segurança usaram gás lacrimogêneo, canhões com jatos d'água e balas de borracha para reprimi-las no início desta semana, com alguns relatos isolados de uso de munição real por parte dos agentes.

    No início da noite desta quinta-feira (11), o comandante em chefe das Forças Armadas, o general Min Aung Hlaing, que agora também controla os poderes executivo, legislativo e judiciário, pediu aos funcionários públicos que voltem ao trabalho após dias de paralisações em todo o país em apoio aos protestos.

    "Devido à incitação inescrupulosa de algumas pessoas, alguns funcionários do serviço público deixaram de cumprir suas funções", disse Hlaing em comunicado. "Ações efetivas serão tomadas", acrescentou o general, citado pela agência de notícias France-Presse.
    Polícia usa canhão de água para dispersar manifestantes na capital de Mianmar, Naypyidaw, 8 de fevereiro de 2021
    © REUTERS / Stringer
    Polícia usa canhão de água para dispersar manifestantes na capital de Mianmar, Naypyidaw, 8 de fevereiro de 2021

    Desde o golpe ocorrido em 1º de fevereiro, milhares de manifestantes estão indo às ruas para desafiar os militares e exigir a libertação de Suu Kyi e de outras figuras de seu partido, a Liga Nacional pela Democracia.

    Os manifestantes marcharam novamente nas ruas da capital Naypyidaw nesta quinta-feira (11), assim como em Rangum, a maior cidade e centro econômico do país.

    "Não vão para o escritório", gritava um grupo de manifestantes nos arredores do banco central de Mianmar em Rangum, como parte de um esforço para pedir que as pessoas boicotem o trabalho para fazer pressão contra a junta militar.

    "Não vamos fazer isso por uma semana ou um mês, estamos determinados a fazê-lo até o fim, quando [Suu Kyi] e o presidente U Win Myint forem libertados", disse um funcionário do banco à AFP.

    Entre os manifestantes também havia dezenas de integrantes das minorias étnicas Karen, Rakhine e Kachin, grupos que já sofreram perseguições intensas por parte dos militares.

    "Nossos grupos étnicos e armados devem se juntar para enfrentar a ditadura militar", afirmou Saw Z Net, um manifestante da etnia Karen, à agência de notícias francesa.

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    Tags:
    Aung San Suu Kyi, golpe de Estado, golpe militar, manifestações, Mianmar
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