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    A polícia de Mianmar acusou a líder deposta do país, Aung San Suu Kyi, de possuir vários walkie-talkies importados ilegalmente, por isso ela ficará detida até 15 de fevereiro, informaram integrantes de seu partido nesta quarta-feira (3).

    Suu Kyi foi presa na segunda-feira (1º) junto com outros políticos do primeiro escalão do governo civil quando o Exército deu um golpe no dia em que o novo parlamento seria inaugurado. De acordo com funcionários do partido de Suu Kyi, a Liga Nacional para a Democracia (LND), ela está em casa em prisão domiciliar.

    As acusações contra Suu Kyi podem resultar em uma pena máxima de dois anos de prisão. O texto da acusação afirma que os walkie-talkies, que não foram registrados, eram para uso dos seguranças da agora ex-conselheira de Estado.

    ​O porta-voz da LND, Kyi Toe, confirmou a alegação em sua página no Facebook e acrescentou que o ex-presidente Win Myint foi acusado de violar a lei de gestão de desastres naturais. Phyo Zayar Thaw, legislador do partido, também confirmou as acusações, segundo a agência de notícias Associated Press.

    Além da prisão e deposição dos principais líderes do governo civil, os militares de Mianmar decretaram o estado de emergência por um ano. Com isso, o general Min Aung Hlaing exercerá a presidência interina do país durante esse período.

    De acordo com o novo governo interino, assim que acabar o estado de emergência, o país realizará eleições para determinar quem vai assumir o governo.

    O comandante em chefe das Forças Armadas de Mianmar, general-sênior Min Aung Hlaing
    © AFP 2021 / Ye Aung Thu
    O comandante em chefe das Forças Armadas de Mianmar, general-sênior Min Aung Hlaing

    Denúncias de fraude nas eleições de novembro

    O governo militar interino assinalou que planeja investigar as denúncias de supostas fraudes generalizadas nas eleições realizadas em novembro do ano passado, conforme anunciou ontem (2) o general Aung Hlaing em sua primeira reunião de governo, citado pelo jornal estatal Global New Light of Myanmar.

    Segundo o Exército do país, uma das razões para derrubar o governo civil liderado por Suu Kyi foi que este não investigou adequadamente as suas alegações de supostas irregularidades no pleito. Por sua vez, a Comissão Eleitoral afirmou, antes do levante militar, que não ocorreram problemas significativos na votação.

    Nas eleições de novembro de 2020, o partido de Suu Kyi ganhou 396 dos 476 assentos em disputa em ambas as casas do parlamento, enquanto o principal partido de oposição, que é vinculado aos militares, obteve apenas 33 representantes. O Exército, no entanto, tem direito a 25% de todos os assentos nas duas câmaras com base na Constituição de 2008, que entrou em vigor sob o governo militar anterior.

    Segundo o jornal estatal Global New Light of Myanmar, o general Aung Hlaing disse ao governo que uma nova comissão eleitoral, composta por funcionários que ele descreveu como independentes e imparciais, "avaliará os dados da votação para encontrar os resultados corretos, e as ações apropriadas serão tomadas no processo". Além disso, as listas de eleitores serão examinadas para detectar os registros de famílias inteiras, acrescentou o militar.

    De acordo com um comunicado divulgado hoje (3) em nome dos membros da liderança do partido de Suu Kyi, as autoridades de Mianmar começaram a fazer buscas nos escritórios da LND em Mandalay e em outros estados e regiões na terça-feira (2), confiscando diversos documentos e computadores.

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    Tags:
    Mianmar, Aung San Suu Kyi, golpe militar, golpe de Estado, Exército
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