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    Especialistas afirmam que tensões devem escalar e que China e Índia se prepararam para um confronto de longo prazo na área de fronteira disputada.

    As relações sino-indianas vêm se intensificando desde abril de 2020, quando soldados de ambos os lados, estacionados na Linha de Controle Real (LAC, na sigla em inglês), trocaram acusações de desrespeito dos acordos fronteiriços e tentativa de expansão das áreas ocupadas. Recentemente, ocorreu uma nova celeuma entre o Exército indiano e o Exército de Libertação Popular (ELP) da China em Nakula, no norte de Sikkim, na Índia.

    Fontes governamentais em Nova Deli afirmam que 20 soldados do ELP e quatro soldados do lado indiano ficaram feridos no impasse que eclodiu depois que o lado chinês supostamente tentou invadir o território indiano. O jornal Global Times, todavia, afirma que não há registro desse incidente nas notas de patrulha da linha de frente do ELP.

    Manifestantes queimam imagem do presidente da China, Xi Jinping, em Nova Deli, Índia, 22 de junho de 2020
    © AP Photo / Manish Swarup
    Manifestantes queimam imagem do presidente da China, Xi Jinping, em Nova Deli, Índia, 22 de junho de 2020

    Ações não correspondem às palavras

    Desde o impasse na fronteira em abril passado na LAC, os dois países já realizaram nove rodadas de conversas entre militares de alto nível, além de reuniões ao nível diplomático e ministerial, durante os últimos dez meses. As reuniões não produziram resultados concretos, apenas um consenso vago para cumprir os acordos de limites na fronteira para aliviar as tensões.

    "Ambos os lados concordaram em implementar o importante consenso alcançado pelos líderes dos dois países, fortalecer a comunicação no terreno, evitar mal-entendidos e julgamentos equivocados, parar de enviar mais tropas para a linha de frente, evitar mudanças unilateralmente a situação no terreno, e renunciar de tomar ações que possam complicar a situação", lê-se em uma declaração conjunta dos países após uma reunião em setembro.

    Todavia, os dois lados continuam a reforçar as tropas ao longo da fronteira, como ficou evidente no confronto da semana passada em Nakula.

    "Se eles [os chineses] podem ser agressivos, nós também podemos ser agressivos. Estamos totalmente preparados", afirmou o marechal-chefe da Aeronáutica da Índia, Rakesh Kumar Singh Bhadauria, citado pelo portal News 18.

    Razões para o impasse contínuo

    Nova Deli considera que a LAC tem 3.488 km de extensão, enquanto Pequim acredita que tenha apenas cerca de 2.000 km. O setor intermediário, em Uttarakhand, na Índia, é o menos polêmico, com os dois países se aproximando de um acordo de fronteira em 2018. O processo, no entanto, foi paralisado depois que a Índia declarou a disputada região de Ladakh como Território da União separado.

    Caça indiano sobrevoa as montanhas em Leh, na região de Ladakh
    © REUTERS . Danish Siddiqui
    Caça indiano sobrevoa as montanhas em Leh, na região de Ladakh

    Além de Ladakh, a Índia e a China permanecem em desacordo sobre outra área que a Índia reconhece como Arunachal Pradesh e a China a reivindica como parte do sul do Tibete.

    A disputa de fronteira decorre de duas cartas escritas pelo então primeiro-ministro da era maoísta da República Popular da China, Zhou Enlai, ao primeiro-ministro indiano Jawaharlal Nehru em 1959. Nas cartas, Zhou afirma que a LAC consistia na "chamada Linha McMahon no leste e a linha até a qual cada lado exerce controle real no oeste".

    Zhou reitera o conceito de LAC após a guerra sino-indiana de 1962 em outra carta a Nehru: "Colocando de forma concreta, no leste ela coincide principalmente com a chamada Linha McMahon, e no oeste e no centro coincide principalmente com a linha tradicional costumeira que tem sido consistentemente apontada pela China". A China vê a linha de 1959 da LAC como a fronteira real, enquanto a Índia rejeita essa afirmação.

    Em agosto de 2019, o governo do indiano Narendra Modi dividiu Jammu e Caxemira em dois Territórios da União e declarou Ladakh um território separado. Isso não agradou a Pequim, que reagiu afirmando que a Índia continua a minar a soberania territorial da China e que tal "prática é inaceitável". Índia respondeu dizendo que Ladakh é "assunto interno relativo ao território da Índia".

    Bandeira da Índia ao lado do brasão nacional da China, em Pequim
    © AP Photo / Andy Wong
    Bandeira da Índia ao lado do brasão nacional da China, em Pequim

    Finalmente, em abril passado, quando o impasse estourou, Nova Deli acusou Pequim de erguer infraestrutura permanente no lado indiano da LAC, enquanto a China apresentou alegações semelhantes contra a Índia.

    Próximos capítulos

    Hu Shisheng, diretor do Instituto de Estudos do Sul da Ásia dos Institutos de Relações Internacionais Contemporâneas da China (CICIR, na sigla em iglês), avalia que a disputa na fronteira passará da "reconciliação por meio de diálogos" para uma nova fase caracterizada pela "disputa pelo controle com poder real", o que inevitavelmente levará a confrontos de fronteira.

    Jayadeva Ranade, presidente do Centro de Análise e Estratégia da China, na Índia, cita artigo em um site mantido pelo ELP que argumenta que "o exército indiano está esperando uma oportunidade para causar problemas no próximo ano […]. China e Índia se prepararam para um confronto de longo prazo na área de fronteira disputada […] [e] espera-se que continue por vários anos".

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    Tags:
    Ladakh, Exército Popular de Libertação (ELP), fronteira, China, Índia
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