07:09 08 Março 2021
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    A atividade pesqueira detectada entre 2017 e 2019 nas águas da Coreia do Norte e de outros países vizinhos foi, em grande parte, conduzida por "frotas obscuras", que declinaram em 2020.

    "Frotas obscuras" norte-coreanas englobam embarcações que não divulgam publicamente sua localização e não aparecem nos sistemas públicos de monitoramento. Muitos destas embarcações estão fracamente equipadas para viajar para longe, colocando em risco a vida dos pescadores.

    O estudo, conduzido pela organização sem fins lucrativos Global Fishing Watch, descobriu milhares de navios da Coreia do Norte pescando ilegalmente em águas russas nos últimos anos. Porém, em 2020, o tempo total que esses navios passaram pescando ilegalmente nessa mesma zona caiu cerca de 95%.

    Com a ajuda de satélites foi possível combinar imagens óticas e de radar, tiradas em 40 dias, durante a temporada de pesca de lula, um molusco muito apreciado no país em estudo – que geralmente dura entre maio e dezembro – junto com observações diárias de imagens óticas noturnas e sistema de identificação automática (AIS, na sigla em inglês), entre outros dados de rastreamento de embarcações. Em 2020, pôde-se observar cerca de 50% menos embarcações no mesmo período em comparação com os anos anteriores.

    A captura estimada de cerca de 53 mil toneladas caiu para um nível inferior de 2018, quando uma onda de calor afetou a pesca. Estimada em cerca de US$ 170 milhões (aproximadamente R$ 899 milhões), a pesca de lulas nas águas da Coreia do Norte em 2020 é o menor dos últimos quatro anos, segundo o estudo.

    Detecções de frotas obscuras acumuladas ao longo de 2020 usando imagens de satélite óticas noturnas
    Detecções de "frotas obscuras" acumuladas ao longo de 2020 usando imagens de satélite óticas noturnas

    Na análise de Jaeyoon Park, autor do estudo, entende-se que a saída das "frotas obscuras" da Coreia do Norte das águas russas não levou a um aumento notável na intensidade da pesca em águas territoriais. A mídia, no entanto, informou que as autoridades norte-coreanas, em um esforço para dificultar a disseminação do coronavírus, implementaram regras mais rígidas que proibiam os pescadores de ir para águas fora do território marítimo nacional.

    Em uma reportagem do ano passado, o Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que "fez cumprir de forma consistente e consciente as resoluções do Conselho de Segurança relacionadas à Coreia do Norte".

    A análise da Global Fishing Watch sugere que desde a adoção das resoluções do Conselho de Segurança da ONU em 2017 para sancionar a Coreia do Norte, incluindo a proibição da pesca estrangeira, as "frotas obscuras" capturaram ilegalmente cerca de US$ 700 milhões (cerca de 3,7 bilhões) em lulas. No entanto, as medidas preventivas da pesca ilegal, fruto das resoluções mencionadas acima, têm um preço caro.

    O comércio entre Pequim e Pyongyang – um acordo de salvação econômica que a maioria dos especialistas acredita que a Coreia do Norte precisa para evitar que seu povo passe fome – caiu em mais de 80% em 2020, de acordo com dados da agência alfandegária da China publicados na segunda-feira (18).

    Quase 10,1 milhões de pessoas sofrem de insegurança alimentar na Coreia do Norte e "precisam urgentemente de assistência alimentar", de acordo com um relatório de abril de 2020 do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários.

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    Tags:
    COVID-19, Segurança, pesca ilegal, China, Coreia do Norte
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