08:03 14 Abril 2021
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    No mês passado, a publicação do relatório Brereton, que contém provas dos crimes de guerra cometidos pelo Serviço Aéreo Especial (SAS, na sigla em inglês) da Austrália e levou ao afastamento de pelo menos dez membros do serviço militar.

    De acordo com o Daily Mail, na semana passada, o Departamento de Defesa da Austrália emitiu notificação de causa a dois soldados sêniores do SAS australiano que foram fotografados festejando em um bar afegão em 2009 com uma prótese de perna de um soldado talibã morto em combate.

    Na imagem, dá para ver os soldados pousando com a prótese, mostrando suas línguas e posicionando suas mãos em uma posição idêntica à da dança cerimonial haka. Ambos serviram no SAS por décadas, tendo um deles propositadamente tirado a prótese de perna do corpo do militante talibã.

    Detalhes vieram à tona praticamente após o oficial veterano do SAS, John Letch, de 50 anos, ter se reformado voluntariamente no início de dezembro, pois também foi flagrado bebendo cerveja da mesma prótese exposta na foto.

    Soldados do SAS pousando com prótese de militante do grupo terrorista Talibã morto em combate
    Soldados do SAS pousando com prótese de militante do grupo terrorista Talibã morto em combate

    Ironicamente, antes de se reformar, Letch ensinou a soldados a ética e a integridade militares, considerando-as "centrais em tudo" e as apontando como princípios do SAS usados em "toda decisão" tomada pelo serviço, reporta o Daily Mail.

    Relatório Brereton

    O relatório em questão foi realizado pelo juiz da Suprema Corte de Nova Gales do Sul, e o major-general do Exército de reserva, Paul Brereton, resultando em um documento que contém "informações credíveis" sobre os assassinatos de civis e prisioneiros afegãos. Em particular, o relatório acusou os membros do SAS de ações que "desgraçam e traem profundamente" a Força de Defesa australiana.

    Oficial do SAS, John Letch, flagrado bebendo cerveja da prótese do combatente talibã em um bar afegão em 2009
    Oficial do SAS, John Letch, flagrado bebendo cerveja da prótese do combatente talibã em um bar afegão em 2009
    Segundo o documento, pelos menos 39 afegãos foram mortos ilegalmente, em contexto de guerra, em cerca de 23 incidentes envolvendo as forças especiais australianas.

    Em todos os casos reportados, "devia ser claro que vítimas mortais não eram combatentes", apontou o documento onde estão identificados cerca de 25 soldados implicados nos crimes.

    Missão da Austrália no Afeganistão: um pequeno resumo

    A Austrália enviou soldados para o Afeganistão com os EUA e outros aliados no final de 2001, com o objetivo de lutar contra os grupos terroristas Al-Qaeda e Talibã (ambos proibidos na Rússia e em outros países) após os ataques de 11 de setembro. Desde então, forças ocidentais permanecem em solo afegão.

    Nos últimos 20 anos, 41 soldados australianos foram mortos e mais de 260 feridos no Afeganistão, onde a sua missão atual consiste em "monitorar atividades operacionais e de reconstrução", tal como apoiar as forças afegãs.

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    Tags:
    crime de guerra, Talibã, guerra, Afeganistão, Austrália
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