21:42 02 Agosto 2021
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    Organizações não governamentais argumentam que condições de vida são ruins em Bhasan Char e chamam transferência de "violação dos direitos humanos".

    Centenas de refugiados do povo rohingya em Bangladesh estão sendo realocados para uma polêmica instalação insular na Baía de Bengala em meio ao medo de que alguns possam ser coagidos a se mudar para lá e mantidos indefinidamente, informou a rede de TV a cabo CNN.

    Um navio transportando 1.642 refugiados seguiu para Bhasan Char, uma ilha a cerca de 40 quilômetros da costa perto da cidade de Chittagong, segundo disse Shahriar Alam, ministro das Relações Exteriores de Bangladesh.

    Muitos dos refugiados fugiram de Mianmar para Bangladesh para escapar de uma violenta repressão militar em 2017, o que levou o Tribunal Internacional de Justiça em Haia a ordenar que Mianmar protegesse a população rohingya de atos de genocídio. 

    Mianmar nega as acusações e mantém as "operações de liberação" pelos militares como medidas legítimas de combate ao terrorismo.

    O governo de Bangladesh passou anos construindo uma rede de abrigos na ilha para acomodar pessoas atualmente vivendo em campos de refugiados espalhados em Cox's Bazar, perto da fronteira com Mianmar.

    Mas os grupos de direitos humanos e os próprios refugiados há muito expressam preocupação com a segurança da ilha desabitada e de baixa altitude, pois muitas vezes fica parcialmente submersa durante a estação das monções e é vulnerável a ciclones.

    A Human Rights Watch, organização não governamental que defende os direitos humanos, descreveu as condições na ilha como "pobres" e com o povo rohingya provavelmente enfrentando uma falta de cuidados médicos adequados. 

    O grupo também expressou a preocupação de que os refugiados poderiam perder a liberdade de movimento, a subsistência sustentável e a educação. Também não está claro que papel as agências humanitárias poderão ter ali.

    A Refugees International, organização humanitária independente que defende mais apoio às pessoas deslocadas e apátridas, disse que a realocação foi "míope e desumana" e que deveria ser interrompida.

    "Sem avaliações apropriadas e informações adequadas para os refugiados sobre as condições na ilha, a mudança é nada menos do que uma perigosa detenção em massa do povo rohingya em violação às obrigações internacionais de direitos humanos", comentou Daniel Sullivan, advogado do grupo.

    O ministro das Relações Exteriores de Bangladesh disse não entender por que as agências de ajuda humanitária eram contra a mudança e descreveu os relatos de coerção como "absolutamente sem fundamento".

    "Eu simplesmente não entendo. Por que se opõem a uma vida melhor para eles quando falharam terrivelmente no cumprimento de seu trabalho?", perguntou o chanceler Alam.

    O governo vem construindo instalações em Bhasan Char há vários anos para aliviar a pressão sobre os campos superlotados em Cox's Bazar que abrigam cerca de um milhão de refugiados rohingya.

    A Organização das Nações Unidas (ONU) informou em nota que não estava envolvida nos preparativos e recebeu "informações limitadas" sobre as realocações. E também não teve acesso à ilha para realizar avaliações técnicas e de segurança.

    "Os refugiados rohingyas devem ser capazes de tomar uma decisão livre e informada sobre a transferência para Bhasan Char com base em informações relevantes, precisas e atualizadas. Qualquer realocação para Bhasan Char deve ser precedida de avaliações técnicas de proteção abrangentes", disse a ONU.

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    Tags:
    ONU, rohingya, Mianmar, Bangladesh, Human Rights Watch
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