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    Think tank chinês analisou voos de aviões norte-americanos nos mares do Sul da China e da China Oriental, descobrindo que muitos desses aviões são versões modificadas produzidas por empreiteiras dos EUA.

    Os EUA começaram a utilizar em março de 2020 várias aeronaves civis modificadas para fins militares para monitorar os mares do Sul da China e da China Oriental, bem como o mar Amarelo e o estreito de Taiwan, aponta um relato da Iniciativa de Sondagem Estratégica do Mar do Sul da China (SCSPI, na sigla em inglês), um think tank ligado à Universidade de Pequim, China.

    O think tank catalogou anteriormente extensos voos de aviões espiões norte-americanos na região, incluindo o uso questionável de códigos hexadecimais alternativos da Organização da Aviação Civil Internacional, que os fazem parecer aeronaves civis quando se aproximam do espaço aéreo chinês.

    No entanto, os acadêmicos acreditam que, ao invés de aumentar ainda mais as tensões, o uso de contratantes civis reais poderia, em vez disso, diminuir o risco de um incidente grave.

    "Em comparação com as capacidades de reconhecimento aéreo da Marinha e da Força Aérea dos EUA, as aeronaves de reconhecimento de empresas privadas de defesa têm maior flexibilidade para lidar com questões 'no limite', reduzindo a pressão diplomática causada pelo confronto militar direto", escreveu a SCSPI.

    Os EUA estão contratando aviões de reconhecimento civis para voar em missões no leste e sul da China, incluindo um Bombardier CL-604; Bombardier CL-650 (programa ARTEMIS); e um Beechcraft 350

    Apesar disso, o think tank avalia que o uso de aviões de reconhecimento civis revela uma escassez de aeronaves para suprir as necessidades de inteligência do Pentágono na região.

    Caças civis modificados

    Uma das aeronaves é o avião de vigilância marítima Bombardier Challenger CL-604, operado pela empresa Tenax Aerospace Corporation. A SCSPI descreve o CL-604 como "uma versão simplificada" do Poseidon, que é adaptado de um avião Boeing 737. De acordo com a SCSPI, o CL-604 chegou à base aérea de Kadena, em Okinawa, Japão, 31 de março de 2020.

    No entanto, ao contrário do grande Poseidon, o CL-604 não tem capacidade de reabastecimento em pleno voo, o que limita sua capacidade de vagar sobre uma área por um longo período. A aeronave sobrevoou o mar da China Oriental e mar Amarelo 139 vezes desde março, mas só se aventurou em fazer o mesmo no mar do Sul da China 17 vezes desde então, parando para reabastecer na base aérea Clark, em Luzon, Filipinas, observou o think tank.

    O avião tem suas vantagens: o think tank observa sua capacidade de mergulhar facilmente abaixo de 300 metros de altitude, o que lhe permite fazer um "reconhecimento de alta intensidade" próximo à costa chinesa. Os voos rotineiros sobre o mar da China Oriental do avião para o mar Amarelo o levam a apenas algumas dezenas de quilômetros das águas chinesas fora de Xangai, por exemplo.

    Tenax Aerospace CL-604 (#ACBA95) #N9191 tem patrulhado ao longo do mar da China Oriental em uma rota de rotina, de 1º a 4 de novembro.

    Outro tipo de aeronave a aparecer em Okinawa, Japão, tem sido a Bombardier Challenger 650 (CL-650), duas das quais chegaram a Kadena em 29 de julho e também são operadas pela Tenax.

    De acordo com o portal The Aviationist, os dois pequenos caças de passageiros modificados são os primeiros aviões de Inteligência Aérea, Vigilância e Reconhecimento (ISR, na sigla em inglês) tripulados pelo Exército dos EUA, algo que é tipicamente realizado por drones.

    Estes aviões modificados são chamados de Sistema de Reconhecimento Aéreo e de Inteligência Multimissão (ARTEMIS, na sigla em inglês), que não deve ser confundido com a missão lunar tripulada da agência espacial norte-americana NASA com a mesma sigla.

    O CL-600 N488CR GASP93 do Exército dos EUA partiu da base aérea Kadena, Okinawa (Japão) para uma missão no mar da China Oriental em 0208Z. Esta nova plataforma ISR é conhecida como ARTEMIS.

    O ARTEMIS transporta o Sistema de Detecção e Exploração de Alta Precisão (HADES, na sigla em inglês), que, segundo a revista Forbes, usa poderosos radares de "detecção profunda" para rastrear alvos individuais no solo a várias centenas de quilômetros de distância, podendo ser usados pelo Exército norte-americano para mira de longo alcance com mísseis ou artilharia.

    Apesar disso, após uma curta estadia no Indo-Pacifico, um dos aviões ARTEMIS foi enviado para Constanta, Romênia, onde começou a voar em missões de espionagem pelo mar Negro e sobre a Geórgia em setembro.

    A terceira aeronave notada pela SCSPI é um avião de reconhecimento Beechcraft 350 de baixa altitude detido pelo Mater Special Aerospace Corporation, um empreiteiro civil que fornece sinais de inteligência e reconhecimento para o Comando de Operações Especiais dos EUA.

    Aviões espiões voadores operados por empresas civis de defesa não são novidade para o Pentágono: o céu da Somália tem sido sobrevoado por uma aeronave De Havilland Canada Dash 8 e um caça comercial Gulfstream, pertencentes às empresas L3Harris Technologies e a AEVEX Aerospace, ambos modificados para detectar alvos do grupo militante Al-Shabaab para o Comando da África dos EUA.

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    Organização da Aviação Civil Internacional, Marinha dos EUA, Filipinas, Boeing P-8A Poseidon, P-8A Poseidon, Xangai, Exército dos EUA, Forbes, Mar do Leste, Mar do Sul da China, Universidade de Pequim, China, EUA
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