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    Apesar de uma esperada renegociação do acordo comercial dito como "perverso" pela China, Biden se concentrará primeiro na política interna e pressionará Pequim em outras questões, dizem especialistas.

    A política sino-americana poderá voltar a ter um tom mais previsível com o novo presidente dos EUA, Joe Biden, apesar de algumas ressalvas, escreve o jornal Global Times.

    A mídia apela a uma maior comunicação e cooperação entre Pequim e Washington, sendo "óbvio" que tal dinâmica primeiro deve acontecer na área comercial para restaurar alguma compreensão e confiança bilateral.

    "É um dos últimos fios que ligam os dois lados. É notável que nem Pequim, nem Washington se aventuraram a acabar com o tão arduamente acordo ganho da primeira fase que negociaram", disse o China Daily, jornal oficial de língua inglesa do país, em relação ao acordo comercial assinado em janeiro de 2020 entre os dois países.

    No entanto, segundo o jornal South China Morning Post (SMCP, na sigla em inglês), que citou especialistas chineses, o governo chinês vê o acordo no qual obriga a China a comprar US$ 200 bilhões (R$ 1,11 trilhão) em mercadorias dos EUA como "perverso". A China ainda não está perto de atingir este objetivo, e quer reduzir as metas de importação e tarifas de exportação para o país norte-americano.

    "Biden lançará mais cedo ou mais tarde uma renegociação do acordo comercial, uma vez que o acordo atual é irrealista. Uma renegociação também está de acordo com os desejos da China", disse Shi Yinhong, membro do Conselho de Estado da China.

    Joe Biden afirmou em seu primeiro discurso como presidente eleito no sábado (7) que retornaria imediatamente os EUA ao Acordo de Paris de 2015 contra as mudanças climáticas e à Organização Mundial da Saúde, algo que pode favorecer maior cooperação com a China, diz o SMCP citando conselheiros chineses.

    Esperanças reservadas

    Stephen Olson, ex-membro comercial do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, e atualmente pesquisador da Fundação Hinrich, que promove comércio global sustentável, advertiu ainda que o presidente eleito norte-americano buscará primeiro confrontar a pandemia da COVID-19 e investir nos trabalhadores dos EUA, ao mesmo tempo que deve manter uma forte postura comercial contra Pequim nos primeiros meses.

    O antigo vice-presidente sob o governo de Barack Obama (2009-2017) deve pressionar o país asiático ainda mais em questões como Hong Kong, Taiwan, Xinkiang, mar do Sul da China, direitos humanos e alegada espionagem chinesa nos EUA em troca da renegociação do acordo comercial, adverte Shi Yinhong.

    "A China deve se tornar um país que os EUA não podem suprimir ou desestabilizar, e fazer com que a cooperação com a China seja a melhor opção para que os EUA realizem seus interesses nacionais", recomendou o Global Times.

    O superávit comercial da China com os EUA cresceu 46,5% desde 20 de janeiro de 2017, dia em que Donald Trump chegou à presidência em Washington, nota o SMCP citando dados alfandegários chineses.

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    Tags:
    China Daily, OMS, Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização Mundial da Saúde, Acordo de Paris, Mar do Sul da China, Taiwan, Hong Kong, COVID-19, The Global Times, Global Times, South China Morning Post, EUA, China, Donald Trump, Joe Biden
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