12:14 03 Dezembro 2020
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    Independentemente do resultado das eleições presidenciais nos EUA, as tensões entre a potência ocidental e a China poderão continuar, pelo que os EUA vão precisar de pensar suas relações com o Japão.

    Segundo o diplomata japonês, Kunihiko Miyake, "as relações entre os EUA e o Japão, inclusive a política do Leste Asiático, estão se tornando relativamente mais importantes", enquanto a China se torna cada vez mais forte. As declarações foram dadas em uma entrevista na terça-feira (3), de acordo com a agência Bloomberg, enquanto as eleições norte-americanas permanecem em um impasse.

    Miyake garante que, independentemente do resultado das eleições, nada mudará em relação ao conflito entre os dois gigantes mundiais, pois se há algo em quem Democratas e Republicanos concordam, é o fato de a China ser o principal rival estratégico dos EUA.

    Sabendo disto, a Bloomberg supõe que o primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga, terá de delinear políticas que tragam equilíbrio às relações do país com a China, seu maior parceiro comercial, e os EUA, seu único aliado militar oficial.

    Primeiro Ministro japonês (direita), Yoshihide Suga, e o comandante do Comando Indo-Pacífico das Forças Armadas dos EUA (esquerda), Philip Davidson, posam em frente das bandeiras de seus países
    © AP Photo / Eugene Hoshiko
    Primeiro Ministro japonês (direita), Yoshihide Suga, e o comandante do Comando Indo-Pacífico das Forças Armadas dos EUA (esquerda), Philip Davidson, posam em frente das bandeiras de seus países

    Durantes a sua campanha, o candidato democrata, Joe Biden, adotou um tom mais crítico perante a China, afirmando já estar planejando uma lista de aliados que podem ajudar na contenção do gigante asiático. Contudo, é possível que tais declarações não impressionem tanto, quando postas ao lado da assertividade da administração Trump, que vem bombardeando a China com taxas em determinados produtos, bem como restringindo o acesso a certas tecnologias-chave.

    Caso Biden saia vencedor, será difícil voltar a inserir os EUA na Parceria Transpacífica, que foi abandonada por Trump, pois as visões do presidente norte-americano não correspondiam aos valores do governo japonês, explica Miyake. Adicionalmente, é improvável que Biden viesse a exigir a Tóquio um pagamento mais alto pela presença de tropas norte-americanas no Japão.

    Donald Trump, presidente dos EUA, e Xi Jinping, presidente da China
    © AP Photo / Andrew Harnik
    Donald Trump, presidente dos EUA, e Xi Jinping, presidente da China

    Por outro lado, caso Biden seja eleito presidente, a fatia republicana do Congresso dos EUA não vai parar de utilizar a China para expor a fraqueza do democrata em questões de segurança nacional, refere Evan Medeiros, professor de Estudos Asiáticos da Universidade de Georgetown, EUA, e antigo conselheiro da administração Obama em assuntos ligados à Ásia e Pacífico.

    De acordo com a agência Bloomberg, o primeiro-ministro japonês pensa em visitar os EUA em janeiro, enquanto Wang Yi, ministro das Relações Externas da China, tenciona visitar o Japão quanto antes, segundo o jornal Mainichi.

    Apesar do partido de Yoshihide Suga, Partido Democrático Liberal, o aconselhar a adotar uma posição mais dura com a China, o seu governo tem evitado agir de forma que ponha em causa a já frágil relação entre o Japão e a China, que segundo conta Miyake, tem se esforçado para construir melhores laços entre os dois países.

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    Tags:
    tensão geopolítica, estabilidade estratégica, tensão política, China, Estados Unidos, Japão
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