15:30 29 Outubro 2020
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    Mesmo depois de terem chegado a um acordo de cessar-fogo humanitário a partir da meia-noite de domingo (18) tanto Armênia como Azerbaijão denunciam ataques mútuos na região de Nagorno-Karabakh.

    David Babayan, conselheiro do presidente da república não reconhecida de Nagorno-Karabakh disse que o cessar-fogo declarado desde a meia-noite deste domingo (18) na linha de contato não tem prazo, é permanente.

    "A trégua em si não tem prazo estabelecido, embora algumas autoridades do Azerbaijão afirmem que foi anunciada para [durar] alguns dias. Não existe nada disso. Se eles estão falando de alguns dias, isso significa que vão recorrer a novas ações. Mas esta trégua é permanente", disse Babayan durante um briefing transmitido no Facebook.

    Ele ressaltou que, neste momento, o mais importante para Nagorno-Karabakh é evitar novas mortes, acrescentando que a situação epidemiológica na linha de contato é crítica porque, segundo Babayan, o Azerbaijão não retira os corpos dos seus mortos.

    Não obstante as duas partes terem chegado a um acordo de trégua, que entrou em vigor a partir da meia-noite (no horário local) deste domingo (18), a porta-voz do Ministério da Defesa da Armênia, Shusan Stepanyan, denunciou que o Azerbaijão iniciou uma ofensiva em Nagorno-Karabakh, no sul da linha de contato, perto da fronteira com o Irã.

    "Apesar do anúncio do novo cessar-fogo humanitário, as Forças Armadas do Azerbaijão voltaram a violar grosseiramente o acordo. Às 07h20 (00h20, no horário de Brasília), o adversário iniciou uma ofensiva com uso de artilharia na zona sul a fim de ocupar posições favoráveis. Ambas as partes registram baixas", escreveu a porta-voz em sua página no Facebook.

    A agência de gestão de emergências da república não reconhecida declarou que as Forças Armadas do Azerbaijão não atacaram cidades ou povoados na noite de domingo (18), após o cessar-fogo ter sido declarado, e que as violações ocorreram na linha de contato que divide os dois exércitos.

    Igreja em Shusha destruída após alegado bombardeio do Azerbaijão contra Nagorno-Karabakh
    © Sputnik
    Igreja em Shusha destruída após alegado bombardeio do Azerbaijão contra Nagorno-Karabakh

    "Nas cidades e povoados de Nagorno-Karabakh a noite foi relativamente tranquila. Nas áreas norte e sul da linha de contato, o Azerbaijão violou grosseiramente o cessar-fogo humanitário. No entanto, os centros populacionais e a infraestrutura civil não foram bombardeados", lê-se no comunicado.

    O Ministério da Defesa de Nagorno-Karabakh informou no domingo (18) que, nas 24 horas anteriores, morreram mais 40 militares. De acordo com as listas de baixas publicadas pelo ministério em 17 de outubro, o número de seus militares mortos desde o início do conflito, no fim de setembro passado, é superior a 620.

    Neste sábado (17), o Ministério das Relações Exteriores armênio informou que Erevan e Baku tinham chegado a um acordo para uma trégua a partir das 00h00 de domingo (18). A chancelaria azeri confirmou a informação.

    Os confrontos armados começaram na região em 27 de setembro passado.

    Nagorno-Karabakh, de população maioritariamente armênia, é foco de conflito entre a Armênia e o Azerbaijão desde 1988.

    Os confrontos entre duas etnias estalaram após o parlamento de Nagorno-Karabakh, na época uma região autônoma do Azerbaijão, votar favoravelmente a unificação da região com a Armênia em 20 de fevereiro de 1988.

    Em dezembro de 1991, em um referendo, os armênios de Nagorno-Karabakh aprovaram a criação de um Estado independente.

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    Tags:
    cessar-fogo, territórios disputados, Armênia, Azerbaijão, Nagorno-Karabakh, artilharia, conflito armado
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