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    A administração Trump acusou o TikTok de ser um instrumento de espionagem comandado por Pequim, sendo tais alegações rejeitadas tanto pelo aplicativo como pelo governo chinês.

    Benjamin Cavender, diretor do Grupo de Pesquisa do Mercado da China em Xangai, avisou sobre possíveis retaliações provenientes de Pequim à repressão do aplicativo de vídeos TikTok.

    Nas próximas semanas, Cavender sugeriu que a China "pode tomar medidas que visem prejudicar os interesses tecnológicos dos EUA", o que "pode significar dificultar a venda de softwares de companhias americanas na China, mesmo marcas como a Apple".

    Cavender adicionou que "até agora, a China ainda não tomou medidas drásticas, mas a retaliação vai depender das ações que sejam tomadas contra companhias chinesas pela administração Trump".

    "A curto prazo, talvez isso não tenha impacto direto em ambas as economias, mas é mais uma ação que poderia degradar ainda mais as relações comerciais. Neste caso, é provável que observemos uma separação contínua das indústrias tecnológicas da China e dos EUA, em detrimento das ambições globalistas de ambos", argumentou o analista em entrevista à Sputnik.

    O mesmo foi repetido por Michael R. Englund, diretor-geral e economista-chefe da Action Economics, que afirmou que Pequim pode "responder facilmente" às ações da administração Trump contra o TikTok "com retaliação", mesmo sabendo que a China "encara sempre uma situação problemática em qualquer escalada comercial".

    Logotipos Tik Tok em smartphones junto a um logotipo da ByteDance, 27 de novembro de 2019
    © REUTERS / Dado Ruvic
    ByteDance e TikTok

    Englund insistiu que a melhor estratégia da China em situações similares é "responder simbolicamente, de um modo que não resulte no escalar de tensões da parte dos EUA, como norte-americanos tipicamente têm feito nos últimos três anos de conflitos comerciais".
    O analista adicionou que, em termos de impactos econômicos, "os EUA podem 'seguir' sem TikTok e WeChat, apesar da insatisfação de adolescentes".

    "O produto em causa não contribui produtiva ou essencialmente, contrariamente ao caso com ações contra [a gigante tecnológica chinesa] Huawei. O único 'custo' para os EUA seria o impacto refletido em qualquer possível retaliação contra uma companhia americana", concluiu.

    As observações surgem após o presidente Trump ter declarado na segunda-feira (21) que as companhias americanas Oracle e Walmart deveriam ter "controle total" sobre o TikTok, e se não o controlassem plenamente, não haveria acordo.

    No sábado (19), Trump contou a repórteres ter apoiado o acordo entre a dona do TikTok, ByteDance, e as empresas norte-americanas Oracle e Walmart para a criação de uma nova companhia que assumiria as operações do TikTok nos EUA.

    Após a declaração de Trump, o Departamento de Comércio dos EUA anunciou prorrogação do bloqueio do TikTok em solo norte-americano para 27 de setembro.

    Em agosto, Donald Trump deu ultimato até 12 de novembro para a ByteDance fechar parceria com empresa norte-americana ou então aplicativo TikTok seria proibido nos Estados Unidos. Desde então, o TikTok e a ByteDance assinaram duas ações judiciais contra a administração Trump. O presidente dos Estados Unidos acusou repetidamente a aplicativo chinês de fornecer dados pessoais de cidadãos americanos a Pequim, acusações que o TikTok e o governo chinês negam.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Microsoft, Apple, TikTok, EUA, China
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