01:19 01 Outubro 2020
Ouvir Rádio
    Ásia e Oceania
    URL curta
    6273
    Nos siga no

    As tentativas de se intrometer em Taiwan, que a China considera seu território, podem custar caro aos EUA, disse o Ministério das Relações Exteriores chinês. Pequim aconselhou o chefe de Saúde norte-americano a se concentrar na crise da COVID-19 em casa, em vez de fazer viagens ao exterior.

    O secretário de Saúde dos Estados Unidos, Alex Azar, desembarcou em Taiwan no domingo (9) para uma viagem de três dias, tornando-se a autoridade estadunidense de mais alto escalão a visitar a ilha autogovernada, que não demonstrou desejo em quatro décadas de se reunir com a China continental.

    O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian, condenou a visita e alertou Washington sobre fazer avanços em direção a Taiwan.

    "Em questões envolvendo os interesses centrais da China [...] os EUA não devem alimentar ilusões. Quem brinca com fogo vai se queimar", provocou o funcionário chinês.

    A viagem ocorreu em meio a tensões crescentes entre Washington e Pequim e foi usada por Azar para lançar outro ataque à China. Ele culpou Pequim por não alertar a comunidade internacional sobre o novo coronavírus, que se originou em Wuhan no final do ano passado, e por se recusar a cooperar com outras pessoas no combate à doença, permitindo que ela se espalhasse pelo globo. Azar também sugeriu que, se o surto inicial de COVID-19 tivesse ocorrido em Taiwan ou nos Estados Unidos, poderia ter sido "extinto facilmente".

    Lançamento do míssil Tien-Kung I, de Taiwan, durante exercício militar (imagem referencial)
    © AFP 2020 / Taiwan Defence ministry
    Lançamento do míssil Tien-Kung I, de Taiwan, durante exercício militar (imagem referencial)

    O porta-voz chinês negou as alegações dos EUA sobre o manuseio inadequado da COVID-19 e expressou surpresa pelo fato de o secretário de saúde dos EUA ter decidido deixar seu país quando o novo coronavírus está "fora de controle" lá. Os EUA têm a pior situação com a COVID-19 do mundo, já tendo registrado mais de cinco milhões de casos e mais de 164 mil mortes.

    "Ele [Azar] ignorou milhões de americanos que sofriam do vírus e foi a Taiwan para fazer um show político. O comportamento de Azar prova mais uma vez que, aos olhos dos políticos norte-americanos, a vida dos americanos nada significa quando comparada com seus ganhos políticos egoístas", prosseguiu Zhao.

    Apesar de romper os laços oficiais com Taiwan em favor da China em 1979, os Estados Unidos apoiam ativamente o esforço da ilha pela independência e continuam sendo seu maior fornecedor de armas.

    Apenas no mês passado, o Departamento de Estado dos EUA aprovou um pacote de US$ 620 milhões (R$ 3,3 bilhões) para atualizar o sistema de mísseis terra-ar Patriot para Taiwan, ao qual Pequim reagiu dizendo que imporia sanções a um dos principais contratantes do projeto, a fabricante de armas norte-americana Lockheed Martin.

    A China exigiu em várias ocasiões que as entregas de armas a Taiwan fossem interrompidas, apontando que elas violam o princípio de "Uma China" e deterioram ainda mais as relações bilaterais com Washington.

    Mais:

    China agrava situação com Taiwan e vendas de armas à ilha continuarão, afirma Pentágono
    Para se proteger da China, Taiwan negocia compra de drones dos EUA, diz agência
    China ameaça tomar medidas em resposta à visita de autoridade dos EUA a Taiwan
    Tags:
    independência, soberania, novo coronavírus, COVID-19, diplomacia, Tsai Ing-wen, Alex Azar, Estados Unidos, China, Taiwan
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar