22:38 11 Agosto 2020
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    As ameaças a rotas de transporte de petróleo não são algo novo, porém, tensões entre os dois gigantes asiáticos podem se mostrar um desafio para o mercado de hidrocarbonetos.

    O recente enfrentamento que começou entre os dois maiores importadores de petróleo do mundo – China e Índia – poderia aumentar as ameaças à segurança no estreito de Malaca, o segundo corredor de exportações mais importante do mundo.

    Este vital trecho conecta o oceano Índico ao oceano Pacífico através do mar do Sul da China e é a rota de transporte de petróleo mais curta dos produtores de petróleo, no Oriente Médio, até aos mercados asiáticos como a China, o Japão e a Coreia do Sul.

    O estreito de Malaca é o principal ponto de passagem de embarcações na Ásia. Nos últimos anos, entre 85% e 90% dos fluxos totais de petróleo anuais, de mais de 16 milhões de barris por dia, passam através deste ponto, segundo a Administração de Informação Energética dos EUA.

    Extração de petróleo (imagem referencial)
    © Sputnik / Vitaly Timkiv
    Extração de petróleo (imagem referencial)

    A relações entre a Índia e China sempre foi instável, porém, um recente aumento de tensões na fronteira entre ambos os países se converteu no mais violento dos últimos anos. Ambos os países são potências nucleares, o que preocupa a Organização das Nações Unidas, que pede que Nova Deli e Pequim "exerçam a máxima contenção".

    Nos últimos dias os dois países parecem avançar em direção a uma desescalada, mas a pressão permanece.

    Índia poderia cortar os fornecimentos através do estreito de Malaca?

    A posição da Índia no oceano Índico e a presença de sua Marinha nas ilhas de Andamã e Nicobar, que se encontram próximas ao estreito de Malaca, poderiam teoricamente permitir ao país bloquear o estreito entre Indonésia e Malásia, escreve o especialista naval H. I. Sutton na revista Forbes.

    Um potencial fechamento do estreito, em caso de uma escalada de tensões, uma crise ou uma guerra, poderia permitir à Índia impedir os envios de petróleo à China, o maior importador do mundo, que importa principalmente do Oriente Médio através desta rota.

    No entanto, um bloqueio do estreito é, atualmente, uma possibilidade distante, acredita Tsvetana Paraskova em um artigo para Oilprice.

    Se os fornecimentos forem cortados, a Índia afogaria os fluxos de petróleo para as potências do norte da Ásia aliadas dos EUA, como a Coreia do Sul, salienta Paraskova. Além disso, também prejudicaria gravemente todo o comércio na Ásia, incluindo suas próprias correntes comerciais, enquanto a crise do coronavírus gera estragos nas economias de todo o mundo, agrega.

    Planos da China para evitar o fornecimento via estreito de Malaca

    A China tem projetos para reduzir sua dependência do estreito de Malaca no comércio, incluindo o comércio de petróleo.

    Tanques de petróleo e gás em depósito no porto de Zhuhai, China, 22 de outubro de 2018
    © REUTERS / Aly Song
    Tanques de petróleo e gás em depósito no porto de Zhuhai, China, 22 de outubro de 2018

    Um destes é o porto de Gwadar, no Paquistão, no âmbito da iniciativa da Nova Rota da Seda. Prevê-se que o transporte seja efetuado deste porto ao interior da China.

    Além disso, outra opção à disposição de Pequim é a Rota Marítima do Norte, no Ártico. A China pretende construir uma rota da seda polar e "facilitar a conectividade e desenvolvimento econômico e social sustentável do Ártico", segundo o Plano da Política do Ártico da China a partir de 2018.

    Contudo, estes planos levarão anos para serem finalizados e, mesmo quando estejam operacionais, não eliminarão a dependência da China em relação ao estreito de Malaca para o comércio de petróleo, indica Paraskova.

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    Tags:
    hidrocarbonetos, tensões, exportações, Estreito de Malaca, petróleo, China, Índia
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