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    O presidente norte-americano teve responsabilidade no fracasso das negociações com Pyongyang, mas o acadêmico Robert Kelly também atribui culpas a outras partes do conflito.

    Donald Trump não poderá resolver o conflito coreano em parte por causa de sua intransigência e falta de planeamento nas questões da Coreia do Norte, escreve Robert Kelly, professor de Relações Internacionais no Departamento de Ciência Política e Diplomacia da Universidade Nacional de Pusan, Coreia do Sul, na revista National Interest.

    A recente destruição de um escritório destinado a negociações intercoreanas foi uma forma de a Coreia do Norte expressar seu descontentamento pelo lançamento de folhetos da oposição através da fronteira, destruição que Kelly considera uma resposta desproporcionada.

    No entanto, tanto a Coreia do Norte como os EUA têm uma abordagem em que tentam maximizar seus ganhos sem oferecer muito em troca.

    Pyongyang enfrenta sanções abrangentes a nível global por parte dos EUA, da Coreia do Sul e do Japão, que lhe reduziram e continuam reduzindo a margem de manobra. Por isso, depois de em 2017 testar mísseis intercontinentais que podem atingir os EUA, Kim Jong-un pôde se virar para a diplomacia, não obstante os anteriores insultos de Trump, que também acedeu às negociações.

    Apesar de tudo, Trump se envolveu nas discussões de forma "aleatória e esporádica", segundo o especialista norte-americano, que caracteriza o presidente dos EUA como "desordenado", incluindo em políticas internas como a saúde e infraestrutura.

    Presidente dos EUA, Donald Trump, participa de mesa redonda na cidade de Dallas, Texas, 11 de junho de 2020
    © AFP 2020 / Nicholas Kamm
    Presidente dos EUA, Donald Trump, participa de mesa redonda na cidade de Dallas, Texas, 11 de junho de 2020

    "Trump foi para seus encontros com Kim exigindo a eliminação completa, verificável e irreversível do programa nuclear e de mísseis do Norte".

    "Os principais interesses de Trump parecem ter sido espetáculos de fotos e o simbolismo", diz. "Ele não fez nenhum discurso sério de reorientação política sobre a Coreia do Norte nem se comprometeu muito com a confusão burocrática necessária para mover o Congresso e a comunidade de política externa dos Estados Unidos nessa direção".

    Por seu lado, Pyongyang também teria oferecido pouco para motivar Washington em continuar as negociações, apenas propondo o fechamento de um reator nuclear envelhecido em troca do levantamento das sanções, o que levou a administração Trump a abandonar irritada as conversas bilaterais.

    "No final, Trump parece ter perdido o interesse na Coreia do Norte, e esta disse recentemente que a relação pessoal entre Trump e Kim é agora irrelevante", comenta Kelly.

    Papel da Coreia do Sul

    As dificuldades da Coreia do Norte também limitaram as ações do governo sul-coreano de Moon Jae-in, que ficou reduzido a observar as negociações infrutíferas e "intimidado a agir unilateralmente".

    O acadêmico também atribui culpas ao presidente da Coreia do Sul, que vinha durante décadas, "dedicando grande parte de sua carreira ao desanuviamento" das relações, mas sem adotar uma estratégia de acordos progressivos que poderia gerar mudanças mais realistas na prática.

    "Ao invés disso, quase nada mudou", conclui Robert Kelly.

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    Tags:
    Moon Jae-in, The National Interest, Coreia do Sul, Donald Trump, EUA, Coreia do Norte
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