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    COVID-19 desafia mundo no início de junho (54)
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    Nos países asiáticos, a taxa de mortalidade do novo coronavírus é menor do que em outros países. Motivos podem ter a ver com características genéticas da população e imunidade adquirida.

    A taxa de mortalidade no Japão e em outros países do Sudeste Asiático pela doença COVID-19, provocada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, é inferior do que na grande maioria dos outros países, particularmente nos países europeus.

    A afirmação, dada em entrevista ao canal RBC, é do epidemiologista japonês Kentaro Iwata, professor da Universidade de Kobe e ex-assessor científico das autoridades japonesas.

    Baixa mortalidade na Ásia

    "Um total de cerca de 800 pessoas morreram no Japão infectadas pelo vírus, indicando uma menor taxa de mortalidade em comparação a outros países. Na Bélgica, por exemplo, há mais de 700 mortes por um milhão de habitantes", afirmou Iwata.

    Em teor comparativo, a taxa de mortalidade por COVID-19 é de 6,4 no Japão por um milhão de habitantes, cinco na Coreia do Sul e três na China, enquanto na Espanha, Reino Unido e Itália ultrapassa as 500 pessoas, informa o canal em seu site.

    Embora o coronavírus no Japão não tenha sido completamente derrotado e seja muito cedo para tirar conclusões definitivas, há várias hipóteses sobre o porquê da mortalidade neste e em outros países asiáticos ser menor do que na Europa, disse Iwata.

    Primeiro, na sua opinião, os asiáticos podem ter características genéticas que lhes facilitem superar o coronavírus.

    Segundo, os asiáticos poderiam ter adquirido imunidade ao contraírem no passado outros vírus ou de uma vacina contra tuberculose, embora alguns estudos tenham refutado a hipótese da vacina, prosseguiu Iwata.

    Laboratório na China em que profissionais de saúde realizam testes para identificar pacientes com coronavírus
    © AP Photo / Cheng Min
    Laboratório na China em que profissionais de saúde realizam testes para identificar pacientes com coronavírus

    Finalmente, é provável que os residentes de países asiáticos sejam menos propensos à obesidade, coágulos ou hipertensão, o que reduz sua vulnerabilidade ao vírus, acrescentou o epidemiologista.

    "Até agora, porém, essas são apenas hipóteses que não foram cientificamente comprovadas", alertou Iwata.

    Abordagem japonesa

    Devido à pandemia do coronavírus em abril, autoridades japonesas impuseram estado de emergência, e as escolas e instituições de ensino superior foram fechadas. Ao mesmo tempo, o Japão continua sendo um dos poucos países, juntamente com a Suécia, a Coreia do Sul e a Bielorrússia, que não adotaram medidas rigorosas de quarentena.

    "Não aplicamos penas por desvios das medidas de quarentena, a polícia não patrulha as ruas ou prende ninguém. As autoridades centrais pediram ao país como um todo para reduzir a atividade e minimizar caminhadas, reuniões, eventos públicos e viagens, e as pessoas seguem esses conselhos, sem que ninguém as esteja forçando", explicou Kentaro Iwata.

    Em 25 de maio, o premiê japonês Shinzo Abe anunciou o cancelamento do estado de emergência e congratulou Japão por ter mostrado ao mundo ser possível resistir ao vírus sem impor restrições rígidas.

    "De uma maneira tipicamente japonesa, conseguimos alcançar o sucesso e realmente controlar a propagação do vírus naquele mês e meio", afirmou Abe, citado pelo RBC.

    Iwata explicou a falta de restrições do Japão pela sua cultura política e atitude cautelosa em relação ao Estado.

    "Não tínhamos uma base legal para impor punições severas, e em uma parte significativa de nossa história o Japão foi um sistema autoritário onde os militares tinham grande influência", disse Iwata, acrescentado que por esse fato a margem de manobra do governo para controlar a vida das pessoas ter sido sempre muito reduzida.

    Mulher tira foto de flores no Zoológico de Pequim durante pandemia de coronavírus, China, 24 de março de 2020
    © AP Photo / Mark Schiefelbein
    Mulher tira foto de flores no Zoológico de Pequim durante pandemia de coronavírus, China, 24 de março de 2020

    Além disso, os japoneses já seguiam por opção própria regras de distanciamento social, pelo que seria descabido a tomada de medidas extremas.

    Segundo Kentaro Iwata, o fato de o Japão ter conseguido superar a fase inicial da pandemia sem grandes sacrifícios é "um grande sucesso, cuja explicação exata é impossível de dar ainda".

    Vale realçar que, ao contrário de muitos outros países asiáticos, o Japão não tinha experiência no combate à epidemia de SARS em 2002-2003 e de MERS em 2015, pelo que não estava preparado para a COVID-19, referiu o epidemiologista.

    Contudo, Iwata destacou a rapidez com que as autoridades japonesas intervieram. Enquanto o "número de pessoas doentes for pequeno, a onda da pandemia pode ser contida, e se o foco crescer, é quase impossível fazer algo", acrescentou o especialista, observando que os europeus reagiram tarde demais à pandemia.

    Ação da China e da OMS

    Para Iwata, "as autoridades chinesas fizeram um bom trabalho em comparação a suas ações durante a epidemia de SARS em 2002-2003". Já no que diz respeito à OMS, o epidemiologista considera que a organização se dedica à prevenção de doenças crônicas e não está suficientemente preparada para surtos repentinos.

    Os EUA culparam a China e a OMS pela lenta resposta à pandemia e por tentarem esconder as circunstâncias em torno do novo coronavírus. Na Rússia, estas alegações dos EUA foram consideradas infundadas, recordou o canal RBC.

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    Tags:
    Japão, pandemia, novo coronavírus, país asiático, Ásia, COVID-19
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