15:45 09 Julho 2020
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    Avanço da pandemia de COVID-19 em meados de maio (112)
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    Ministério das Relações Exteriores chinês publicou um extenso documento no qual analisa e responde a alegações feitas por políticos americanos que incriminam a China no contexto da pandemia.

    No documento de 30 páginas, a chancelaria chinesa presta especial atenção às alegações em grande parte proferidas pelo secretário de Estado americano, Mike Pompeo.

    Entre os 24 pontos, os três mais destacados tratam da associação do nome do coronavírus com a China, sua origem na cidade de Wuhan e a suposta demora do país em informar sobre a transmissão.

    'Vírus chinês'

    Em primeiro lugar, o governo chinês demonstrou insatisfação com o fato de políticos americanos chamarem o coronavírus SARS-CoV-2 de "vírus chinês".

    Citando a Organização Mundial da Saúde, o documento diz que o vírus não deve ser associado com nenhum país ou localidade em particular.

    "O nome de uma doença deve evitar localidades geográficas, nomes de pessoas, tipos de animais ou comida, assim como referências a culturas, populações, indústrias ou profissões", publicou o Ministério das Relações Exteriores da China.

    'Coronavírus veio de Wuhan'

    Apesar de a cidade chinesa de Wuhan ter sido a primeira localidade no mundo a registrar casos de COVID-19, a origem do vírus não deve ser associada à cidade, segundo a China.

    "Ser o primeiro a reportar o vírus não significa que Wuhan seja a origem. Na verdade, a origem ainda não foi determinada. O rastreio da fonte é uma matéria científica séria, que deve ser baseada na ciência e estudada por cientistas e especialistas da saúde", diz o documento.

    Como exemplo foi citado o vírus da gripe espanhola, que, apesar de ser primeiramente reportado na Espanha no início do século passado, a origem tem sido cada vez mais desassociada do país europeu segundo evidências científicas.

    'China demorou para informar sobre a transmissão do vírus entre humanos'

    Quanto à acusação de ter demorado em informar o mundo sobre a transmissão do vírus entre seres humanos, o governo chinês afirmou que a transmissão só pode ser comprovada por um rigoroso processo científico.

    Desta forma, em 20 de janeiro deste ano, a Comissão Nacional de Saúde do país comunicou à imprensa sobre a possibilidade do SARS-CoV-2 ser transmissível entre pessoas.

    Dois dias depois, a possibilidade foi anunciada pela Organização Mundial da Saúde.

    Contudo, somente em março o governo americano teria reconhecido a seriedade da propagação do vírus em seu território.

    Entre outros 21 pontos tratados no documento, a China negou que o coronavírus tenha tido origem no Instituto de Virologia de Wuhan e rejeitou a versão de que a pandemia teria surgido devido ao consumo de morcegos.

    Foi ainda refutada a questão da repressão de cientistas supostamente envolvidos nas pesquisas sobre o coronavírus.

    Relações tensas

    Com o avanço da pandemia, as relações entre Washington e Pequim foram testadas mais uma vez.

    Enquanto o presidente americano Donald Trump já ameaçou o gigante asiático por alegadamente este não ter informado logo sobre a pandemia, a China tem dedicado boa parte de seus esforços diplomáticos a refutar as acusações e ameaças.

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    Avanço da pandemia de COVID-19 em meados de maio (112)

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    Tags:
    Wuhan, doença, acusação, pandemia, EUA, China, novo coronavírus, COVID-19
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