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    Líder norte-coreano, que aparecia antes todos os dias, deixou repentinamente de dar sinal de vida, suscitando todo o tipo de interrogações e especulações.

    Diversas hipóteses, alimentadas pelos seus problemas de obesidade, antecedentes familiares cardíacos, pela operação de que foi alvo em 2014 e pelo fato de ser um fumante inveterado, têm sido adiantadas pela mídia e por diversos especialistas. Confira esta problemática em um trabalho da Sputnik.

    Obter informações sobre o que se passa no país não é fácil, pois há muito que ele desligou a comunicação com o mundo exterior. Por isso, não se pode subestimar a importância de fontes anônimas, que têm de ser assim citadas pela mídia nas histórias sobre a Coreia do Norte devido à sensibilidade do tema. Mas deve-se ter em conta que suas capacidades são extremamente limitadas e muitas vezes representam somente uma construção analítica baseada em informações que passaram por terceiras mãos.

    Frequentes ausências

    A longa ausência de relatos na imprensa norte-coreana sobre as "atividades revolucionárias do amado líder" não é notícia em si mesma. Desde início de janeiro, Kim Jong-un já fez pausas de mais de dez dias por duas vezes. E em maio de 2019 esteve ausente da vida pública durante 22 dias.

    Mas desta vez é diferente, pois pela primeira vez, desde que chegou ao poder em 2011, o líder norte-coreano não compareceu na importante e simbólica cerimônia de homenagem a seu avô e fundador da República Popular e Democrata da Coreia (RPDC).

    O líder norte-coreano Kim Jong-un fala em uma reunião do Politburo do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia, em 11 de abril de 2020
    © REUTERS / KCNA
    O líder norte-coreano Kim Jong-un fala em uma reunião do Politburo do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia

    Em 2014, Kim Jong-un também esteve ausente da celebração do aniversário da fundação do Partido dos Trabalhadores da Coreia, reaparecendo depois em fotos com uma bengala.

    A inteligência sul-coreana concluiu posteriormente que Kim Jong-un havia realizado uma operação de remoção de um quisto de seu tornozelo. À época, não faltaram rumores que o líder norte-coreano quase teria morrido.

    Rumores

    Rumores similares surgem agora inevitavelmente. Aos relatos de fontes norte-coreanas sobre um procedimento médico, por que Kim supostamente estaria passando devido a problemas cardiovasculares, seguiram-se notícias de que ele estava "em sério perigo após uma cirurgia".

    Jang Sung-Min, ex-chefe do Departamento de Políticas Públicas no governo do presidente sul-coreano Kim Dae-jung, garante que Kim Jong-un está em estado crítico, sem possibilidade de recuperação, afirmando mesmo que se encontraria em estado vegetal.

    Jang Sung-Min assegura ter recebido a informação de um alto funcionário do Partido Comunista Chinês, especialista em assuntos norte-coreanos e com uma posição tão privilegiada que teria acesso a dados que o próprio embaixador chinês na Coreia do Norte desconhece.

    Por seu turno, o ex-embaixador da RPDC no Reino Unido Tae Young-ho (agora é Tae Gyumin), que durante muito tempo colaborou com o jornal sul-coreano Daily NK e que deu em primeira mão a notícia da operação ao joelho, desvaloriza a hipótese avançada por Jang Sung-Min, que na sua ótica não passaria de uma adivinhação.

    "O número de pessoas que estão ao corrente do estado de saúde de Kim Jong-un [...] é muito limitado […] Somente sua esposa Ri Sol-ju e pessoas que lhe são mais próximas", afirmou Tae ao portal YTN, precisando que tudo o que diz respeito à saúde da família Kim é ultrassecreto.

    Hipóteses

    Em nome do grande líder são enviados telegramas de felicitações a altos dignitários estrangeiros, são atribuídas condecorações e ligações diárias são efetuadas através do Ministério da Unificação. Altos funcionários do Ministério das Relações Exteriores da RPDC continuam seus contatos de trabalho, tanto no país como no exterior. Isto não parece corresponder a um quadro em que o comandante supremo do país está morrendo, não tendo ainda um sucessor óbvio.

    De acordo com fontes do governo, Kim Jong-un estaria em sua casa de verão favorita perto de Wosan, na costa leste. Se ele foi operado ou "fugiu" da capital, onde, segundo alguns relatos da mídia, pessoas do seu círculo teriam adoecido com COVID-19, isso não pode ser confirmado. Contudo, militares sul-coreanos detectaram o trem especial do líder da RPDC estacionado em Wonsan.

    Pedestres caminham de máscaras protetoras na capital da Coreia do Norte, Pyongyang, 1º de abril de 2020
    © AP Photo / Chsa Song Ho
    Pedestres caminham de máscaras protetoras na capital da Coreia do Norte, Pyongyang, 1º de abril de 2020

    Por sua vez, representantes da administração Trump disseram a correspondentes sul-coreanos em Washington que Kim foi gravado "caminhando sem apoio nem uso de cadeira de rodas", daí concluindo que a hipótese mais plausível é Kim Jong-un estar evitando pegar o coronavírus.

    Em declarações à Sputnik, Shin Jong Dae, professor da Universidade de Estudos sobre a Coreia do Norte chinesa, afirmou:

    "Estou inclinado a acreditar que seria uma lesão que não ameaça sua vida. Na Coreia do Norte, quando Kim Jong-il [pai de Kim Jong-un] era presidente do Comitê de Defesa do Estado, havia frequentemente ocasiões em que eventos importantes eram cancelados ou encurtados se o líder tivesse problemas de saúde", relembrando que mesmo quando era saudável, ele participou da cerimônia pública de homenagem a seu pai e fundador da RPDC apenas três vezes durante seus 17 anos no poder. Mas "com Kim Jong-un é diferente", salientou.

    "Tenho quase a certeza que houve um incidente na manhã do dia 14 de abril. Naquele dia houve lançamentos de mísseis de cruzeiro, e o Estado-Maior Conjunto da República da Coreia informou que foi visto o "veículo número um", ou seja, o transporte do líder do país. Isso significa que ele esteve no local do teste", acrescentando que algo terá acontecido, pois o lançamento, que deveria ser comemorativo do Dia do Sol, não foi noticiado.

    Por outro lado, Kim faltou a uma importante reunião do partido, que seria mesmo cancelada, e esse fato é muito significativo, na opinião de Cheong Seong-Chang, diretor do Centro de Estudos Norte-Coreanos do Instituto Sejong:

    "Dada a natureza da estrutura e da cultura política da Coreia do Norte, ela devia definitivamente ser realizada", afirmou o especialista à Sputnik.

    Na opinião dele, a situação atual é semelhante à que aconteceu em 2014, quando Kim Jong-un faltou igualmente à reunião do partido, não porque quisesse, mas por lhe ser fisicamente impossível.

    "Não me parece que se trate de um problema sério de saúde", concluiu o especialista.

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    Tags:
    Coreia do Norte, Kim Jong-un
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