15:56 29 Março 2020
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    Entre 1965 e 1975, a Força Aérea dos EUA lançou sobre as nações da antiga Indochina uma tonelagem total de bombas superior em mais de três vezes à lançada pelos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial.

    Esta segunda-feira (4) marca o 55º aniversário do início da Operação Rolling Thunder, a campanha de bombardeio pela Força Aérea dos EUA do Vietnã do Norte, que continua a ser a maior campanha de bombardeio aéreo sustentado da história da humanidade.

    O que deveria ser uma operação de oito semanas acabou por durar 44 meses, até 31 de outubro de 1968. Durante a campanha, os aviões norte-americanos efetuaram cerca de 304.000 bombardeios sobre o Vietnã do Norte, lançando cerca de um milhão de toneladas de munições, ou seja, uma média de cerca de 800 toneladas por dia.

    Mais de seis milhões de toneladas de bombas seriam lançadas em outros lugares da Indochina até os EUA se retirarem da região em 1975. Em comparação, os aviões Aliados lançaram um total de "apenas" 3,4 milhões de toneladas de bombas sobre as potências do Eixo entre 1939 e 1945.

    Campanha de bombardeamento

    O coronel Igor Permyakov, chefe dos Arquivos Centrais do Ministério da Defesa russo, sugere que o verdadeiro objetivo da Operação Rolling Thunder era "realmente uma tentativa de basicamente destruir o Vietnã do Norte". Ao mesmo tempo, disse ele, os norte-vietnamitas conseguiram evitar perdas catastróficas graças a uma elaborada rede de abrigos e comunicações.

    "Claro que sem a ajuda da União Soviética o Vietnã não teria sido capaz de resistir a essa agressão. Moscou forneceu ao país um grande número de sistemas de mísseis antiaéreos e radares modernos. Esses sistemas eram efetivamente controlados por especialistas soviéticos", enfatizou Permyakov.

    "Eles infligiram grandes perdas na aviação dos EUA. Os americanos perderam um total de 938 aeronaves e 1.084 pilotos mortos, capturados ou desaparecidos. Isto ajudou a provocar protestos em massa dentro dos próprios EUA e acabou por forçar o governo dos EUA a parar a operação", comentou.

    De fato, se nas fases iniciais da guerra os norte-vietnamitas pareciam quase indefesos contra as operações aéreas de grande altitude dos EUA, o transporte clandestino pelos soviéticos de defesas antiaéreas avançadas para o país alterou gradualmente o equilíbrio, forçando o Pentágono a mudar de rumo.

    Garota foge de ataque de napalm no Vietnã - foto de 8 de junho de 1972
    © AP Photo / Nick Ut
    Garota foge de ataque de napalm no Vietnã - foto de 8 de junho de 1972

    Como exemplo, quando Moscou entregou o sistema de defesa aérea S-75 Dvina de alta altitude ao Vietnã do Norte, os bombardeiros estratégicos B-52 Stratofortress dos EUA não estavam mais seguros acima das nuvens e foram forçados a descer abaixo de altitudes de 3 quilômetros, ficando em risco de ser atingidos por outras defesas antiaéreas vietnamitas, incluindo as baterias antiaéreas tradicionais.

    O Vietnã havia reunido grandes quantidades dessas armas desde os tempos da Segunda Guerra Mundial, em que lutou contra o Japão, e a sua campanha dos anos 50 contra os franceses.

    Eficácia da defesa antiaérea do Vietnã do Norte

    Dois anos após a Operação Rolling Thunder, o Vietnã do Norte acumulou cerca de 150 lançadores de mísseis terra-ar organizados em 25 batalhões, juntamente com mais de 200 locais de radares de alerta precoce por todo o país, o que não só ajudava a alertar para os ataques iminentes dos EUA, como coordenava a rede de defesa antiaérea do país.

    Inspectores soviéticos examinam a carcaça de um bombardeiro B-52 abatido em dezembro de 1972
    © Foto / Exposição “Vietnã em luta. A Guerra de 1961-1975”
    Inspectores soviéticos examinam a carcaça de um bombardeiro B-52 abatido em dezembro de 1972

    Em 1967, nem um centímetro quadrado do Vietnã do Norte ficou indefeso. Além disso, tal como na Coreia uma década e meia antes, Hanói foi armada por Moscou com caças MiG-17 e com os novos MiG-21. Utilizados em operações combinadas para realizar investidas de ataque e fuga, estes aviões se transformaram em um sério desafio não só para os B-52, mas também para os mais rápidos caças-bombardeiros F-105 Thunderchief e F-4 Phantom que os poderiam acompanhar.

    Durante a Operação Rolling Thunder, os pilotos vietnamitas realizaram um total de 268 grandes batalhas aéreas, durante as quais reivindicaram a destruição de mais de 240 aviões de norte-americanos e aliados, ao mesmo tempo que perderam 85 MiGs.

    Tudo somado, entre 1965 e 1975, a Força Aérea dos EUA perdeu em suas operações no Vietnã do Norte, Vietnã do Sul, Laos e Camboja cerca de 2.251 aeronaves, incluindo 31 aviões B-52, 445 Phantom II, 243 Super Sabres e 382 Thunderchiefs, entre outros. Enquanto isso, a Marinha dos EUA perdeu mais 532 aviões de asas fixas. As perdas de helicópteros dos EUA foram ainda mais graves, chegando a mais de 5.100 helicópteros perdidos até o final da guerra.

    Derrota estratégica

    Apesar destas vitórias aéreas, que acabaram por obrigar os EUA a admitir a derrota no Sudeste Asiático, a campanha de bombardeios estratégicos teve um impacto devastador no Vietnã e seus vizinhos. Cerca de 182.000 civis do Vietnã do Norte foram mortos durante a Operação Rolling Thunder. Além disso, o uso do Agente Laranja (um herbicida) pelo Pentágono levaria ao desmatamento de cerca de 18 por cento de toda a área florestal do Vietnã.

    Até hoje, agricultores vietnamitas continuam a encontrar munições não explodidas dos EUA, enquanto centenas de milhares de vietnamitas e milhares de veteranos dos EUA enfrentaram cânceres, defeitos congênitos em crianças e outras doenças associadas à exposição a produtos químicos. Infelizmente, embora os veteranos dos EUA se tornaram elegíveis para compensação por seus ferimentos, o Vietnã ainda não foi compensado de nenhuma forma.

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    Tags:
    MiG-21, EUA, URSS, Vietnã
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