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    Duas mortes e contaminação acelerada colocam em dúvida a eficácia da quarentena imposta ao cruzeiro Diamond Princess no Japão.

    Nesta quinta-feira (20), dois passageiros do cruzeiro Diamond Princess, em quarentena desde o dia 3 de fevereiro, faleceram em consequência do vírus.

    O cruzeiro de luxo foi colocado em quarentena após um passageiro, que desembarcou em Hong Kong, ter sido testado positivamente para o coronavírus.

    Ao todo, já são 621 casos a bordo do navio que transporta 3.771 pessoas, entre passageiros e tripulantes.

    O aumento no número de casos levantou dúvidas acerca da eficiência do processo de quarentena, e se as medidas tomadas para conter o vírus a bordo foram adequadas.

    Nesta quarta-feira (19), o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês), apontou que, "apesar de a quarentena ter potencialmente conferido benefícios para a saúde pública", impedindo transmissões para o público geral, "talvez não tenha sido o suficiente para impedir transmissões a bordo".

    "O CDC acredita que as taxas de infecções a bordo, especialmente entre aqueles que não apresentavam sintomas, representam um risco contínuo", afirmou em comunicado, conforme reportou a RT.

    A quarentena é necessária?

    O diretor-executivo da Organização Mundial de Saúde (OMS), Michael Ryan, não duvida da necessidade de quarentena em casos como o do Diamond Princess, mas admitiu que houve "mais transmissões [do vírus] do que o esperado".

    Mulher segura urso de pelúcia no balcão do cruzeiro Diamond Princess
    © AP Photo / Jae C. Hong
    Mulher segura urso de pelúcia no balcão do cruzeiro Diamond Princess

    No entanto, Ryan acredita que a decisão de impor quarentena foi "a preferível no momento" e que, caso contrário, passageiros infectados poderiam "estar dispersados pelo mundo".

    Para ele, a quarentena "permitiu [que as autoridades japonesas] mantivessem os passageiros juntos, em um ambiente no qual pudessem ser observados e ter alojamento separados dos demais", explicou Ryan, na quarta-feira (19).

    Autoridades japonesas também consideram a imposição da quarentena como uma medida justificada e adequada.

    O chefe da Organização Comunitária de Atenção e Saúde, Shigeru Omi, defendeu a estratégia e argumentou que um número considerável de passageiros já estava infectado pelo coronavírus antes do início da quarentena.

    Condições do isolamento

    Um professor do Hospital Universitário de Kobe, Kentaro Iwata, gerou polêmica ao publicar no YouTube vídeos no qual critica as condições no barco Diamond Princess.

    Iwata visitou a embarcação e acredita que as condições no cruzeiro eram "completamente deficientes em termos de controle da infecção" e que "burocratas estavam a cargo de tudo".

    Em entrevista à revista Science, ele não descarou a possibilidade de infecções secundárias terem ocorrido durante a quarentena.

    Iwata alega ter sido retirado do navio pelas autoridades responsáveis pela quarentena e que agora se encontra em isolamento voluntário.

    O ministro da Saúde do Japão, por sua vez, afirmou que as autoridades solicitaram que Iwata deixasse o navio por não desempenhar as tarefas solicitadas por seus superiores.

    Passageira do navio de cruzeiro Princess Diamond com bandeira japonesa, na qual se lê faltam medicamentos, em 7 de fevereiro de 2020
    © REUTERS / Kim Kyung-Hoon
    Passageira do navio de cruzeiro Princess Diamond com bandeira japonesa, na qual se lê "faltam medicamentos", em 7 de fevereiro de 2020

    No entanto, o chefe do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas do Japão, Takaji Wakita, declarou em coletiva de imprensa que os responsáveis pela quarentena são especialistas e que os passageiros receberam todas as instruções necessárias para evitar novos contágios.

    Wakita concedeu que é muito difícil garantir que todos os espaços no navio sejam mantidos completamente limpos, conforme reportou a NBC News.

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    Tags:
    cruzeiro, quarentena, Japão
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