06:59 05 Abril 2020
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    Autoridade chinesa reage à publicação de documentos da operação Rubicon, na qual EUA e Alemanha obtiveram informações secretas sobre mais de 120 países. Ataques cibernéticos realizados pelos EUA teriam atingido níveis sem precedentes de "desordem e ilegalidade".

    Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Geng Shuang, reagiu à publicação de dados da Operação Rubicon, classificando os EUA como "império de hackers".

    "Os fatos mostram que os EUA são o país líder em operações de espionagem no mundo virtual, por isso são literalmente um império de hackers", disse Geng em briefing.

    Para o porta-voz, as operações de espionagem norte-americanas atingiram um nível sem precedentes de "caos, desordem e ilegalidade".

    "E, ao mesmo tempo, os EUA se colocam como vítimas de ataques cibernéticos", lamentou o porta-voz.

    A Rubicon consistiu em uma operação das agências de segurança dos EUA e da Alemanha, que, durante meio século, obtiveram acesso à correspondência secreta de mais de 120 países do mundo.

    Informações sobre a operação foram publicadas na semana passada pelo canal público de televisão alemão ZDF e pela rádio suíça SRF.

    Emblema da CIA em sua sede em Langley, Virgínia, EUA
    © AP Photo / Carolyn Kaster
    Emblema da CIA em sua sede em Langley, Virgínia, EUA

    As investigações revelam que os serviços secretos da Alemanha e dos EUA utilizaram a empresa suíça fornecedora de equipamentos de criptografia Crypto AG para obter informações sobre seus clientes entre as décadas de 1950 e 2012.

    A Crypto AG era secretamente controlada pela agência de inteligência dos EUA, a CIA, que interceptava as mensagens trocadas pelos clientes da empresa, como os governos do Irã, da Arábia Saudita, Vaticano, Argentina, Chile, entre muitos outros.

    O jornal norte-americano Washington Post revelou como a Operação Rubicon ajudou os EUA a manterem o controle das ditaduras latino-americanas durante a segunda metade do século XX, coordenando-a com a Operação Condor.

    Ataques cibernéticos

    De acordo com as autoridades chinesas, grande parte dos ataques cibernéticos cometidos atualmente são perpetrados pelos EUA.

    Em relatório publicado pelo Centro Estatal de Reação Rápida a Situações Emergenciais na Internet da China, publicado em 2019, o órgão sustenta que servidores nos EUA são utilizados para introduzir vírus e conduzir ataques a "computadores ativos" na China.

    Os especialistas chineses acreditam que, em 2018, cerca de 14 mil servidores dos EUA conseguiram estabelecer o controle sobre 3,3 milhões de computadores-host chineses. Naquele ano, cerca de 2.607 sites chineses foram infectados por 3.325 endereços IP norte-americanos, diz o documento.

    Computador mostra alerta de possível vírus ou conteúdo ilícito, em Pequim, na China (foto de arquivo)
    © AP Photo / Ng Han Guan
    Computador mostra alerta de possível vírus ou conteúdo ilícito, em Pequim, na China (foto de arquivo)

    O diretor do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade da Amizade dos Povos (RUDN, na sigla em russo), Pavel Feldman, acredita que os EUA têm a China como alvo prioritário de suas operações cibernéticas.

    "Na China, os americanos têm interesse em obter informações nas áreas de medicina, saúde, biotecnologia. A China faz pesquisas que possuem limitações nos EUA, por isso eles têm interesse em realizar espionagem cibernética nessas áreas", disse Feldman à RT.

    Os autores do relatório do governo chinês concluíram que os EUA foram capazes de construir uma rede de servidores na China, capaz de atacar indústrias, além dos sistemas de infraestrutura e telecomunicações do país.

    Para os especialistas, os ataques cibernéticos teriam o objetivo de impedir que a China realize o seu potencial econômico.

    Guerra Cibernética

    Mas a China não é o único alvo de Washington quando o assunto é guerra cibernética.

    Na semana passada, o general iraniano Golamrez Djalali informou que os EUA realizaram um ataque de grandes proporções à infraestrutura do país.

    Em maio de 2019, um grupo de hackers norte-americanos teria invadido e interrompido a operação da usina hidrelétrica venezuelana de Guri, de acordo com Caracas.

    Como resultado do ataque, 80% do território venezuelano ficou sem energia elétrica por alguns dias, no que o jornal local El Nacional classificou como o maior blackout da história da Venezuela.

    Cachorro iluminado por farol de carro durante blackout em Maracaibo, na Venezuela, após suspeita de ataque cibernético contra hidroelétrica no país, em maio de 2019
    © AP Photo / Rodrigo Abd
    Cachorro iluminado por farol de carro durante blackout em Maracaibo, na Venezuela, após suspeita de ataque cibernético contra hidroelétrica no país, em maio de 2019

    Em setembro de 2018, a Casa Branca aprovou a nova versão de sua Estratégia de Segurança Cibernética, a qual dá carta branca para que agências de inteligência do país realizem tanto operações de defesa, quanto ofensivas na esfera virtual.

    De acordo com o documento, Washington deve monitorar com maior atenção as atividades cibernéticas de países como China, Rússia, Irã e Coreia do Norte.

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    Tags:
    ataques cibernéticos, China, espionagem, Alemanha, EUA
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