23:25 07 Julho 2020
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    Dados recolhidos secretamente poderiam indicar que o avião desaparecido do voo MH370 na verdade sobrevoou a Ásia em vez de ir para o sul do oceano Índico.

    A investigação oficial indica que o MH370 muito provavelmente acabou no fundo do oceano Índico, a oeste de Perth, na Austrália. Isto foi baseado nas comunicações entre o avião e o satélite 3F1 pertencente à companhia britânica de telecomunicações Inmarsat.

    Os dados foram baseados nos valores de Burst Frequency Offset (BFO) e Burst Timing Offset (BTO).

    Os valores de BFO são a medida do movimento relativo do satélite e do avião, enquanto os de BTO são o tempo que leva uma transmissão de ida e volta e podem ser usados para calcular a distância entre o satélite e a aeronave.

    Ao serem comparados, os investigadores descobriram que os dados eram contraditórios, ou seja, era impossível traçar um caminho que o avião pudesse ter feito que encaixasse perfeitamente em ambos.

    Falsificação de dados

    Segundo o escritor e especialista em aviação Jeff Wise, citado pelo tabloide britânico Express, um sequestrador profissional poderia ter falsificado os valores de BFO para enganar os investigadores e estes pensarem que o avião foi para sul.

    Contudo, os valores BTO não podem ser falsificados da mesma forma, e os sequestradores não teriam tido nenhuma maneira de saber que a Inmarsat estava sequer gravando-os, o que significa que é provável que estes dados sejam corretos.

    Wise comenta que se os valores BTO fossem considerados sozinhos, descartando os BFO, então o avião poderia ter voado para o sul sobre o oceano Índico ou para o norte sobre a Ásia.

    De acordo com o especialista, os dados sugerem que o avião estava a abrandar com o tempo, o que sugere que o ar estava ficando mais frio e que havia ventos de proa mais adversos, ambas as circunstâncias seriam de esperar se o avião voasse para norte.

    O escritor também explicou como o avião poderia ter evitado a detecção nos países sobrevoados voando ao longo dos limites de Região de Informação de Voo (FIR). Dessa forma, cada país pensaria que o seu vizinho estaria no controle do avião e não se incomodaria com ele.

    Alegada imagem de Google Maps do avião malaio do voo MH370 no fundo do mar
    © Foto / Google Maps
    Alegada imagem de Google Maps do avião malaio do voo MH370 no fundo do mar

    Sabe-se que o MH370 fez isto quando se desviou da sua rota – ele voou ao longo da fronteira entre os espaços aéreos controlados pela Malásia e o Vietnã, depois pela fronteira entre a Tailândia e a Malásia.

    Caso tivesse usado a mesma técnica sobre a Ásia, passando pela Índia, Nepal, Paquistão, China, Tajiquistão e Quirguistão, de forma a poder voar ao longo das fronteiras de cada país para não causar alarme, então ele poderia ter escapado, antes de finalmente acabar no Cazaquistão.

    "Quando costumávamos ir para outras partes do mundo, podíamos voar pelas fronteiras do FIR e cada lado pensava que estávamos sob controle do outro", citou Wise as palavras do ex-piloto da Força Aérea Real britânica Steve Pearson.

    O voo 370 da Malaysia Airlines desapareceu no dia 8 de março de 2014, na rota de Kuala Lumpur para Pequim, com 239 pessoas a bordo.

    A operação de busca, financiada por governos de vários países e realizada após o desaparecimento, não conseguiu encontrar nenhum vestígio da aeronave.

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    Tags:
    acidente aéreo, Malaysia Airlines, voo MH370, MH370
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