14:40 27 Setembro 2020
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    Após o prazo imposto por Pyongyang para que os EUA retornassem à mesa de negociações ter expirado no fim de 2019, mídia estatal norte-coreana muda o discurso e foca em um confronto duradouro com Washington.

    O governo norte-coreano está empenhado em usar a mídia estatal para alertar seus cidadãos de que podem ter pela frente um caminho turbulento. Após o fracasso do diálogo com os EUA, não há perspectivas de que as sanções econômicas impostas por Washington sejam retiradas.

    A mídia estatal exortou os norte-coreanos a "romperem barreiras" e a fortalecerem o país. No entanto, o otimismo que prevaleceu desde o início da era Kim Jong-un, em 2011, parece estar se esvaindo.

    "A mensagem [da mídia estatal] será de que, por causa da política hostil e das sanções dos EUA, as coisas podem ficar mais difíceis a curto e médio prazo", disse o professor visitante da Universidade George Mason da Coreia do Sul, Andray Abrahamian.

    Nos bastidores, membros do governo norte-coreano admitem estar buscando maneiras de diminuir o impacto das sanções, disse à Reuters um pesquisador europeu que participa de encontros informais com colegas norte-coreanos regulamente.

    Publicamente, a Coreia do Norte reafirmou não se considerar obrigada a impor limites ao seu programa de mísseis ou nuclear, culpando os EUA por não cumprirem o prazo estipulado por Pyongyang para a retomada das negociações e por imporem sanções "desumanas e brutais".

    Crianças norte-coreanas comemoram o Ano Novo Lunar na praça Kim Il Sung, em Pyongyang, Coreia do Norte, em 25 de janeiro de 2020
    © AP Photo / Jon Chol Jin
    Crianças norte-coreanas comemoram o Ano Novo Lunar na praça Kim Il Sung, em Pyongyang, Coreia do Norte, em 25 de janeiro de 2020

    Desde que Kim chegou ao poder em 2011, muitos norte-coreanos têm visto suas condições de vida melhorar, em comparação com as privações e até mesmo a fome dos anos 90. Em 2018, o líder anunciou que o programa nuclear estava "completo" e prometeu o fim dos anos de dificuldades econômicas e materiais.

    Mas a manutenção das sanções dos EUA contra o país por tempo indeterminado pode colocar Kim Jong-un em uma situação delicada.

    "Em 2012, Kim prometeu que o período de 'vacas magras' chegaria ao fim", disse Abrahamian. "A maioria dos norte-coreanos tem experienciado uma melhora na qualidade de vida no governo Kim Jong-um, então tenho a certeza de que esse será um período de preocupações para eles".

    A nova narrativa da mídia estatal deve apoiar o tom adotado por Kim Jong-un em seu discurso de fim de ano, quando alertou os norte-coreanos para a chegada de um período de "luta árdua e prolongada".

    O líder defendeu que os cidadãos se engajassem na construção de uma economia autossuficiente, já que a retirada das sanções teria sido adiada, disseram analistas.

    Kim Jong-un em reunião do partido governante, em 31 de dezembro de 2019, quando expirou prazo imposto aos EUA para retomada dos diálogos
    © REUTERS / KCNA
    Kim Jong-un em reunião do partido governante, em 31 de dezembro de 2019, quando expirou prazo imposto aos EUA para retomada dos diálogos

    Kim usou o discurso de fim de ano para reconhecer que os norte-coreanos teriam que reduzir os gastos por enquanto.

    Essa declaração foi um reconhecimento bastante difícil para o líder norte coreano, uma vez que contraria suas promessas do passado, disse Rachel Minyoung Lee, do NK News.

    "Eu tenho a sensação de que [os norte-coreanos] estão tentando ganhar tempo para realizar algumas mudanças na sua política externa e, à medida que a Coreia do Norte se aproxima do lançamento de sua 'nova arma estratégica', teremos mais clareza de quais são as suas intenções", disse Lee.

    Kim Jong-un enfrenta uma conjuntura internacional sensível, após o fracasso das negociações com os Estados Unidos sobre a desnuclearização e consequente manutenção das sanções contra o país.

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