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    O México, como parte da América do Norte, é um importante parceiro comercial cujo mercado permite à China contornar as barreiras protecionistas estadunidenses.

    Commercial Bank of China e o Bank of China vão alocar 600 milhões de dólares para a construção da sétima refinaria mexicana no porto de Dos Bocas, estado de Tabasco, na costa do golfo do México, informou à Sputnik China a 13 de janeiro último, aquando da apresentação dos Dias da China no México, o embaixador da China neste país Zhu Qingiao.

    O evento foi organizado pelo Ministério da Economia do México para incremento das relações mútuas. Nas palavras do diplomata chinês, esta refinaria é uma das bandeiras da política de desenvolvimento do presidente mexicano Andrés Manuel Lopes Labrador. Para a ministra da Energia, Rocio Nahle Garcia, esta refinaria será a maior do México, com capacidade para refino de 340 mil barris por dia. Labrador, por seu lado, salientou que a nova fábrica reduzirá a dependência energética traduzida na importação sistemática de combustíveis dos Estados Unidos. A construção durará três anos.

    A China tem grande interesse em investir em projetos relacionados com a energia e infraestruturas no México. Entretanto, os investidores chineses não se limitam somente a estas áreas, conforme salientou em entrevista à Sputnik China o diretor do Instituto da América Latina da Universidade de Anhui, Fan Hesheng:

    "Atualmente, o investimento chinês nas áreas da energia e das infraestruturas na América Latina é muito significativo. Em geral, o investimento chinês no México é extenso, ele não se limita a determinadas áreas, ele é em muito condicionado pelas condições de segurança do investimento que estão sendo criadas no mercado mexicano. Os esforços do governo mexicano para assegurar a segurança dos investimentos terão a reação correspondente da contraparte chinesa, que tem um interesse potencialmente elevado na cooperação com o México", disse Fan Hesheng.

    No referido evento, o embaixador do México na China, José Luis Bernal, afirmou que pelo menos três montadoras chinesas de automóveis estão prontas a iniciar a produção no México ou a aumentar sua atividade. Bernal se referia à fabricante de veículos Chagan de Chongqing, à produtora do carro elétrico BYD, que pretende se instalar no país, e à Anhui Jianghuai Automobile Co., conhecida como JAC e que equaciona aumentar sua presença no mercado mexicano.

    O diplomata mexicano deu a entender que os parceiros locais não temem a concorrência das montadoras chinesas – bem pelo contrário, consideram que tal estimulará um dos setores mais importantes das exportações mexicanas.

    Banco mexicano facilita importações da China

    Na véspera, 12 de janeiro, o banco mexicano Grupo Financiero Banorte comunicou a assinatura de um acordo com a Sinosure, China’s Export and Credit Insurance Corp. Se trata de uma seguradora de crédito chinesa. Nos termos do acordo, o Banorte, detentor da classificação mais alta de rating da Standard & Poor's entre todos os bancos mexicanos, abrirá linhas de crédito à importação de produtos e serviços chineses e a Sinosure, por sua vez, segurará o mútuo, garantindo o pagamento. Trata-se de um meio de incrementar as exportações chinesas para o México.

    A China já é hoje o segundo maior parceiro do México, representando cerca de 10% das operações de importação e exportação mexicanas. Segundo o embaixador Zhu Qingqiao, o México é para o seu governo o segundo país em importância na América Latina, acrescentando que entre janeiro e novembro de 2019 o crescimento das trocas comerciais entre os dois países foi de 6%, atingindo os 55 bilhões de dólares.

    Por seu turno, o investimento global das empresas chinesas no México em 2019 superou 1,2 bilhão de dólares. No total, em território mexicano operam 200 empresas chinesas. O presidente Labrador, segundo o ministro das Relações Exteriores, Marcelo Ebrard, incumbiu a elaboração de uma estratégia para aumentar a presença mexicana no mercado chinês, sobretudo nas áreas da inovação e tecnologia, informou o portal El Diario.

    A ministra da Economia mexicana, Graciela Márquez, é de opinião que a ratificação do acordo tripartido entre México, EUA e Canadá, conhecido como T-MEC, "reaviva o interesse da China" em penetrar no mercado da América do Norte.

    China quer entrar nos EUA pela porta mexicana

    Segundo Aleksandr Kharlamenko, do Instituto da América Latina da Academia de Ciências da Rússia, este é o motivo que leva os chineses a investirem no México, por dessa forma poderem penetrar no mercado dos EUA pela "porta dos fundos".

    "Para a China o México é antes de mais uma janela aberta para o sistema de integração econômica da América do Norte. Hoje o interesse da China no México não é meramente comercial. Representa uma parte integrante de toda a economia da América do Norte, onde atuam inúmeras multinacionais, muitas das quais deslocalizaram para o México parte do seu processo tecnológico", disse.

    Segundo Kharlamenko, "o mercado mexicano será a curto prazo para os chineses parte do mercado americano, indo muito para além das tradicionais relações comerciais internacionais. O México dará à China concretas possibilidades de contornar as barreiras protecionistas e as sanções dos EUA, sempre em crescendo."

    Obviamente, o encorajamento que o governo mexicano dá ao investimento chinês, com o objetivo de diversificar a economia do país, provocará um conflito entre os interesses da China e dos EUA no México. Na opinião de Alexander Kharlamenko, esta colisão afetará os capitalistas dos EUA, que se têm manifestado interessados na manutenção das barreiras alfandegárias no comércio e que defendem a política de sanções e de protecionismo de Trump. Mas há investidores americanos interessados quer na integração econômica não apenas com o México, mas também com os países da região do Índico-Pacífico, entre os quais a China.

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    Tags:
    México, EUA, China
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