04:50 22 Outubro 2020
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    A diretiva deve trazer prejuízos às gigantes norte-americanas como HP, Dell e Microsoft. Após Washington impor de restrições à empresa chinesa Huawei, Pequim se prepara para adotar pacote de contramedidas.

    A China ordenou que todos os componentes estrangeiros sejam removidos dos computadores de órgãos do governo e instituições pública. A medida deve ter impacto negativo em empresas como HP, Dell e Microsoft.

    Apesar de a maioria dos computadores do governo chinês ser da marca nacional Lenovo, componentes como hardwares, chips e sistemas operacionais são, muitas vezes, norte-americanos.

    Analistas ouvidos pelo Financial Times estimam que as gigantes norte-americanas lucrem cerca de US$ 150 bilhões (cerca de RS$ 621 bilhões) anuais com o mercado chinês, incluindo clientes públicos e privados.

    Computador da Lenovo em exposição em fórum especializado, em Pequim (foto de arquivo)
    © AP Photo / Mark Schiefelbein
    Computador da Lenovo em exposição em fórum especializado, em Pequim (foto de arquivo)

    A medida é uma resposta à recente decisão das norte-americanas Google, Intel e Qualcomm de encerrar projetos de cooperação com a chinesa Huawei, que teria tomado a dianteira no desenvolvimento da tecnologia 5G.

     "[A medida] é só a ponta do iceberg. O objetivo é claro: criar um espaço livre das ameaças que sofrem empresas como a Huawei, ZTE, Megvii e Sugon", disse o consultor da Eurasia Group, Paul Triolo.

    Ao tentar limitar o acesso da China a know-how ocidental, a administração Trump deixou bem claro que a batalha é sobre qual das duas superpotências estará na vanguarda tecnológica nas próximas décadas, reportou o The Guardian.

    O analista Hu Xijin, editor do jornal chinês Global Times, disse que a Huawei se preparava "há anos" para ser alvo desse tipo de restrições, e por isso deve sobreviver às medidas impostas pelas gigantes norte-americanas.

    Criança brinca próxima ao logo da empresa Huawei, em Pequim (foto de arquivo)
    © AP Photo / Ng Han Guan
    Criança brinca próxima ao logo da empresa Huawei, em Pequim (foto de arquivo)

    Xijin acredita que o tiro possa sair pela culatra, uma vez que a Huawei fica mais motivada a desenvolver sua própria indústria de microchips para competir com a norte-americana.

    "O corte ao fornecimento de tecnologia à Huawei será um marco na pesquisa e desenvolvimento de chips domésticos na China", disse o editor nas redes sociais. "O povo chinês não terá mais nenhuma ilusão em relação ao uso de tecnologia norte-americana".

    Essa é a primeira medida tomada por Pequim que impõe metas específicas de restrição ao uso de tecnologia estrangeira. O cronograma proposto pelo governo prevê o cumprimento da diretiva em até três anos.

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    Tags:
    software, hardwares, tecnologia 5G, EUA, Microsoft, Huawei, China
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