12:18 23 Outubro 2019
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    Presidente filipino Rodrigo Duterte

    Presidente das Filipinas desafia os EUA a 'darem o primeiro tiro' para guerra com a China

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    Se os EUA quiserem que as Filipinas combatam a China, os militares norte-americanos devem dar o primeiro tiro, argumentou o presidente filipino Rodrigo Duterte, acusando Washington de usar seus aliados como "isca" para Pequim.

    "Há sempre a América nos empurrando, nos incitando… me fazendo a isca. O que você acha que são filipinos, minhocas? ", disse Duterte em um discurso na província de Leyte na última sexta-feira, mas que só recebeu atenção da mídia no fim de semana.

    "Agora eu digo, você traz seus aviões, seus barcos para o mar do Sul da China. Dispare o primeiro tiro e estamos aqui atrás de você. Vá em frente, vamos lutar", acrescentou. "Você quer problemas? OK vamos fazê-lo".

    As declarações foram feitas quando o governo de Manila se encontra entre as exigências americanas de uma postura mais dura em relação à China e à expansão marítima de Pequim no mar do Sul da China, especificamente as ilhas que as Filipinas reivindicaram como suas.

    Os Estados Unidos sabiam da construção das ilhas, afirmou o presidente filipino em Alangalang, na abertura de uma fábrica de processamento de arroz, observando que a Marinha dos EUA tem a Sétima Frota estacionada no Japão.

    "Por que eles não mandaram para a Spratly e disseram 'Ei pessoal, vocês não deveriam construir ilhas artificiais em alto mar, isso é exatamente proibido pela lei internacional e o fato é que você está construindo dentro da zona econômica exclusiva do nosso amigo, das Filipinas? ", perguntou Duterte. "Eles os deixaram construir, agora está tudo lá. Todas as armas estão lá, todos os mísseis estão montados".

    No mês passado, um barco de pesca filipino foi abalroado e afundado por um navio chinês, com 22 de seus tripulantes deixados para se defenderem do que os militares em Manila descreveram como um "atropelamento e fuga" no mar. Todos eles foram eventualmente salvos por um navio vietnamita. Duterte descartou o incidente como um "pequeno acidente marítimo", pedindo moderação de Pequim, mas recusando-se a agravar a situação.

    O presidente Donald Trump brinda com o presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, em um jantar da Cúpula da ASEAN no Centro de Convenções SMX, em novembro de 2017
    © AP Photo / Andrew Harnik
    O presidente Donald Trump brinda com o presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, em um jantar da Cúpula da ASEAN no Centro de Convenções SMX, em novembro de 2017

    "Nunca poderemos vencer uma guerra com a China", explicou Duterte. "Não vou mandar meus soldados irem às bocas do inferno para morrer sem lutar. Eu não posso fazer isso".

    Se ele tivesse 20 anos no poder, ele poderia ter "cinco mísseis de cruzeiro mais um canhão" em todas as aldeias, mas esse não é o caso, acrescentou Duterte, esperando que a China "não exagere".

    Esta não é a primeira vez que Duterte teve palavras duras para seus aliados americanos. Em maio, ele acusou os EUA de serem "mandões demais" e de "não honrarem" o fato de renegarem o contrato com armas. Washington recusou a venda de 26 mil rifles para a polícia nacional das Filipinas em 2016, expressando preocupações com os direitos humanos.

    Milhares de pessoas foram mortas extrajudicialmente desde que Duterte lançou uma guerra contra as drogas ao assumir o poder, de acordo com grupos ocidentais de direitos humanos. A Anistia Internacional até pediu a investigação de Duterte por crimes contra a humanidade.

    Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira mostrou popularidade recorde para o presidente, com 80% aprovando seu desempenho e apenas 12% insatisfeitos, o que é dois pontos a mais do que seu recorde anterior em junho de 2017 e repetido em março deste ano.

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    Tags:
    direitos humanos, tráfico de drogas, guerra, Mar do Sul da China, China, Estados Unidos, Filipinas
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