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    Bandeira da China (imagem de arquivo)

    Por que a China investe nos países mais pobres do mundo?

    CC BY-SA 2.0 / Max Braun / ★e
    Ásia e Oceania
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    Entre 2000 e 2014, mais de 4,4 mil projetos de desenvolvimento chineses foram implementados em 138 países de todo o mundo, fazendo com que a China se tornasse uma das fontes mais importantes de financiamento de infraestrutura econômica em vários continentes.

    O relatório do laboratório de pesquisa do College of William and Mary (EUA), AidData, forneceu dados sobre os investimentos chineses, que provam essa tendência de financiamento em países em desenvolvimento.

    Os três principais objetivos da expansão econômica do país asiático é garantir o fornecimento de matérias-primas, criar mercados para os bens e serviços chineses e permitir o fluxo de tecnologias para a economia chinesa, de acordo com o especialista em assuntos chineses Georgy Kocheshov, que acredita que o país asiático adota diferentes estratégias ao investir nos países em desenvolvimento ou em países já desenvolvidos.

    A finalidade chinesa é garantir o controle sobre fontes de matérias-primas e assegurar seus suprimentos, principalmente em relação a países em desenvolvimento, como os do continente africano. Isso também implica a compra de instalações já existentes ou a construção de novos meios e infraestruturas para gerar o crescimento das economias desses países como parceiros comerciais da China.

    "Isso é feito não apenas para garantir o fornecimento de matérias-primas desses países à China, mas também para que eles possam desempenhar um papel cada vez mais importante como mercado para os bens e serviços chineses", disse o especialista ao jornal Vzglyad.

    Pequim também investe em países de "primeiro mundo", com a prioridade de adquirir tecnologia por meio da compra de ações em empresas relevantes, além de aquisições para aumentar a influência econômica e os laços comerciais em geral.

    Os projetos da nova Rota da Seda indicam claramente que a meta crucial da China é ter o controle sobre o sistema econômico mundial, podendo desafiar a hegemonia global dos Estados Unidos, segundo economistas.

    Kocheshkov considera que a nova Rota da Seda não passa de uma nova designação dada à pragmática expansão econômica chinesa, que visa criar um espaço financeiro único sobre um território que inclui toda a Eurásia, bem como parte da África e Oceania.

     "A influência econômica chinesa em várias regiões em desenvolvimento está ao mesmo nível ou até à frente da influência dos países ocidentais", disse o especialista.

    Segundo o cientista político russo Dmitry Karasev, Pequim investe em países populosos que em breve se tornarão consumidores de produtos chineses, seguindo a mesma estratégia que Washington já adotara: usar os investimentos para abrir mercados de consumo.

    Em parte, a China está seguindo uma estratégia de imperialismo econômico, mas é improvável que tenha sucesso sem o imperialismo militar enquanto os Estados Unidos mantiverem sua hegemonia.

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    Tags:
    países em desenvolvimento, matéria-prima, infraestrutura, países pobres, países emergentes, investimentos estrangeiros, EUA, Eurásia, África, China
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