07:37 17 Outubro 2018
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    Bandeiras da Índia e da China (foto de arquivo)

    Índia poderá se tornar o novo impulsionador do crescimento global se a China ajudar

    © REUTERS / Adnan Abidi/File Photo
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    A Índia está alcançando a China em volume de investimentos estrangeiros.

    Somente nos nove meses deste ano, a Índia atraiu US$ 40,6 bilhões (R$ 155,7 bilhões) contra os US$ 41,6 bilhões (R$ 159,6 bilhões) na China. Especialistas explicam isso dizendo que o mercando chinês já está saturado, enquanto o mercado indiano encontra-se em uma fase de rápido crescimento. Será que isso significa que a Índia pode substituir a China e se tornar o novo impulsionador do crescimento econômico global?

    Por muitos anos os economistas colocaram a China e a Índia no mesmo nível, uma vez que os dois países têm várias características semelhantes. São dois países asiáticos, os maiores do mundo em termos de população e ambos com uma economia em desenvolvimento. A China e a Índia começaram, praticamente ao mesmo tempo, a buscar uma política de abertura de seus mercados para o mundo exterior. Aos olhos dos investidores estrangeiros, os mercados chinês e indiano eram parecidos. No entanto, tudo mudou depois de 2008, quando a Índia teve mais prejuízos que a China devido à crise financeira. Desde então, a China pareceu aos investidores um mercado mais seguro e promissor.

    Há uma certa lógica nisso: a economia da China é cinco vezes maior do que a da Índia. Além disso, uma classe média está se formando rapidamente na China, o que significa que o nível de consumo está aumentando. Este é o indicador mais importante para os investidores na avaliação das perspectivas do mercado. E embora o PIB da Índia esteja crescendo rapidamente, a economia chinesa está em um nível diferente de desenvolvimento, segundo explicou à Sputnik China o professor da Universidade de Deli, Ravni Thakur.

    "Penso que as economias indiana e chinesa estão em diferentes estágios de desenvolvimento e crescimento, desse modo não podem competir entre si ao mesmo nível. A China já está adotando uma estratégia de crescimento inteligente com foco em TI e outras tecnologias. A Índia ainda está tentando aumentar a produção simples e setores criadores de mais empregos", complementou Thakur.

    No entanto, a Índia fez um grande avanço neste ano: o nível de investimentos estrangeiros no país aumento 64%. O analista econômico, Aleksei Kuprianov, relatou à Sputnik China que o crescimento da atratividade dos investimentos na Índia está associado a uma política econômica bem-sucedida no país.

    "O rápido crescimento dos investimentos na Índia é o resultado da política do primeiro-ministro Narendra Modi, que tem o objetivo de atrair fundos do exterior para patrocinar um avanço econômico no âmbito da estratégia 'Melhor Índia 2022'. Esta é uma tendência que persistirá pelo menos por vários anos", prevê Kuprianov.

    As reformas de Narendra Modi visam principalmente melhorar a esfera econômica e social. Em 2009, introduziu o sistema de identificação dos moradores do país: os cidadãos receberam um número de identificação único. Além disso, em 2016 foi levada a cabo a desmonetização: como resultado dessa reforma, 85% de todo o dinheiro foi apreendido. Por um lado, como muitos economistas acreditam, a reforma visa combater o setor da economia sombra e o crime organizado, que prefere usar cédulas de valores elevados. Por outro lado, a transição para um sistema de pagamentos por transferência bancária possibilita tornar todas as transações mais transparentes.

    O ordenamento do sistema financeiro do país e a disponibilização de acesso à maioria da população aos serviços sociais e financeiros básicos tornou a Índia mais atraente para os investidores. Além disso, em condições de desaceleração da economia chinesa devido às contradições comerciais com os EUA, o mercado indiano pode se apresentar como um novo ponto de crescimento. Entretanto, não se deve pensar que a Índia substituirá a China. Em vez disso, eles juntos contribuirão para o crescimento do PIB global, vaticina Thakur.

    "Naturalmente, as sanções dos EUA e a guerra comercial não beneficiam a China no curto prazo. Mas isso forçará a China a reestruturar sua economia e torná-la mais competitiva no longo prazo", concluiu o professor.

    Além disso, o crescimento indiano, em muitos aspectos, dependerá de como se desenvolverá a cooperação com a China, observou Kupriyanov.

    "As perspectivas da Índia como um dos impulsionadores do crescimento econômico global [em paridade com a China, não em seu lugar] podem apenas ser discutidas depois de ficar claro se a estratégia econômica de Narendra Modi e seu ambicioso plano de reformas da economia indiana estão funcionando. Isso, por sua vez, depende de uma série de fatores, incluindo da disposição da China em investir na Índia", disse.

    Atualmente a China está investindo ativamente na Índia, principalmente depois que o país realizou a desmonetização e começou a adotar os pagamentos por transferência bancária. A China criou o maior sistema de pagamento móvel do mundo, o volume de mercado no ano passado atingiu US$ 18 trilhões (R$ 69 trilhões). As startups tecnológicas forneceram 5 a 7 anos atrás uma parcela significativa do crescimento da economia chinesa. Aparentemente, no momento um modelo similar está se desenvolvendo na Índia. Se a tendência continuar, o país beneficiará da experiência e do dinheiro chinês.

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    Tags:
    PIB, guerra comercial, reformas, mercado, investimentos, economia, Narendra Modi, EUA, Índia, China
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