01:03 11 Dezembro 2018
Ouvir Rádio
    Mar do Sul da China

    Analistas: EUA usam ambições britânicas no jogo contra Pequim no mar do sul da China

    © AFP 2018 / STR
    Ásia e Oceania
    URL curta
    426

    O Ministério das Relações Exteriores da China comunicou que "em 31 de agosto, o navio de desembarque aéreo britânico Albion entrou nas águas territoriais da República Popular da China, perto das ilhas Paracel, sem a permissão do governo chinês".

    A China considerou isso como um atentado à soberania do Estado e pediu insistentemente ao lado britânico para que parasse com essas provocações para evitar danos nas relações entre os dois países.

    O incidente ocorreu exatamente um mês depois da visita à China do ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Jeremy Hunt. Nessa data, as partes concordaram em fortalecer a "era de ouro" nas relações bilaterais. Pouco tempo depois, o Reino Unido apoiou a iniciativa da China de futuramente iniciar negociações sobre uma zona de livre comércio depois de sua saída da União Europeia. Enquanto isso, o incidente da passagem do navio da Marinha britânica perto das ilhas Paracel pode ser um sério golpe para este projeto.

    O analista chinês Wang Yiwei disse em entrevista à Sputnik China que a entrada não autorizada de um navio militar britânico nas águas das ilhas Paracel é consequência das ambições marítimas britânicas, que os EUA estão tentando usar para inflamar as tensões em torno de Pequim no mar do Sul da China.           

    "A Grã-Bretanha […] tem influência global. Ela acredita que a Ásia é parte de seus interesses, […] o mar do Sul da China é uma área estratégica para monitorar a situação na península coreana. Portanto, por um lado, o Reino Unido está interessado em participar do futuro acordo de paz na península coreana, protegendo seus interesses em várias ilhas do oceano Pacífico e em algumas antigas colônias, demonstrando assim a existência de uma força global", explicou o analista. 

    "Por outro lado, os Estados Unidos também esperam arrastar a Grã-Bretanha e a França para o seu lado, de modo que a situação não pareça apenas que os EUA estão discutindo com Pequim sobre o problema do mar do Sul da China, mas sim que toda a comunidade internacional está contra a China", continuou.  

    Wang Yiwei enfatizou que, do ponto de vista dos interesses econômicos, os ingleses realmente precisam do mercado chinês, mas em termos de segurança e ideologia, a Grã-Bretanha não pode estar junto com a China. 

    "Esta é a razão de algumas ações contraditórias que vemos por parte do Reino Unido", concluiu. 

    Por sua vez, a analista Kira Godovanyuk, do Instituto da Europa da Academia de Ciências russa, opinou em entrevista à Sputnik China que a região do Indo-Pacífico é uma das prioridades da política marítima da Grã-Bretanha.

    "A intensificação da atividade da Grã-Bretanha no mar do Sul da China é uma tentativa de atuar como uma frente unida com os Estados Unidos quanto ao status deste mar. Suas ações são conduzidas sob o lema da liberdade de navegação. Nesta questão, a Grã-Bretanha atua em conjunto com os Estados Unidos e a Austrália, que estão ativamente tentando resistir à crescente influência da China", opinou Godovanyuk.

    "Ou seja, do ponto de vista da economia, a China é, obviamente, um parceiro. Mas do ponto de vista da estratégia, a China é um concorrente", continuou a analista, acrescentando que, se os EUA veem a China como um concorrente em todos os setores, a Grã-Bretanha tenta "se sentar em duas cadeiras".

    "Por um lado, é proclamada a 'era de ouro', mas, por outro lado, há uma intenção de se opor à China nesta região. Para isso, a aliança com o Japão, a Austrália e os EUA é também muito importante", concluiu.

    Mais:

    EUA constroem interceptor dos mísseis hipersônicos russos Kinzhal
    Militares dos EUA estudam opções em caso de uso de armas químicas pela Síria
    Pequim aprova proposta da ExxonMobil para construção de petroquímica na China
    Tags:
    zona de livre comércio, navegação, mercado, navio, influência, Austrália, Japão, Mar do Sul da China, Grã-Bretanha, EUA, China
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik