19:35 15 Junho 2019
Ouvir Rádio
    Capas das revistas com o presidente dos EUA Donald Trump (à esquerda) e o presidente chinês Xi Jinping (à direita), Pequim, China, 6 de abril de 2017

    China pode usar 'ferramenta invisível' em guerra comercial com EUA

    © AFP 2019 / NICOLAS ASFOURI
    Ásia e Oceania
    URL curta
    15250

    A prática de usar regras "não escritas" vigora há anos na China, o que torna mais difícil a entrada de empresas estrangeiras no mercado do país. Com o desenvolvimento da guerra comercial entre Pequim e Washington, essas regras podem ser transformadas em arma, adverte uma equipe de reflexão.

    O próximo passo de Pequim na retaliação contra as tarifas de Washington pode vir sob forma de regras não escritas aplicadas às empresas estadunidenses que operam na China, alerta o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, sigla em inglês) em seu último relatório.

    Segundo a equipe, Pequim adotou cerca de 300 padrões nacionais de segurança cibernética nos últimos anos. Esses padrões regulam o modo como as empresas, principalmente as envolvidas na produção de software e hardware, operam no mercado chinês. E apesar desses padrões serem considerados apenas como "recomendados", o fato é que, se uma empresa estrangeira quiser trabalhar com empresas governamentais ou relacionadas com o governo na China, ela precisa atender a esses requisitos "não escritos", esclarece o relatório.

    Isso torna a entrada no mercado chinês um pouco mais complicada para todas as empresas estrangeiras, pois elas não apenas são forçadas a adaptar seus produtos, mas também precisam revelar dados confidenciais, esquemas e partes do código-fonte para passar a certificação. Embora não seja especialmente problemático para as empresas domésticas, as empresas estrangeiras não compartilharão voluntariamente dados confidenciais sobre seus produtos, ressaltou o CSIS.

    O relatório observa que a formulação vaga nesses padrões permite que Pequim os manipule a fim de atrasar e negar a certificação para empresas norte-americanas, impedindo que novas empresas venham para a China e até mesmo forçando as que já têm um negócio bem-sucedido no país a sair. O CSIS afirma em seu relatório que esses padrões também podem se tornar uma moeda de barganha nas negociações entre Pequim e Washington.

    Líder norte-coreano Kim Jong-un e seu homólogo sul-coreano Moon Jae-in atravessam a linha que demarca a zona desmilitarizada na aldeia fronteiriça de Panmunjom, 27 de abril de 2018
    © AP Photo / Pool de imprensa da Cúpula das Coreias
    Samm Sacks, um dos autores do relatório, disse em entrevista à CNBC que a China provavelmente usará sua "ferramenta invisível" como uma contramedida contra as tarifas dos EUA. No entanto, ele alertou que a prática pode ir além da guerra comercial, já que a tentativa do presidente chinês Xi Jinping de aumentar o poder de segurança cibernética do país é "muito maior do que a dinâmica com os EUA".

    As relações entre os EUA e a China despencaram depois que Washington impôs uma série de tarifas sobre produtos chineses, citando práticas comerciais desleais de Pequim que supostamente prejudicaram os saldos comerciais dos EUA.

    Em 15 de junho, Trump anunciou que uma tarifa de 25% seria imposta sobre US$ 50 bilhões (R$ 195 bilhões) em produtos chineses. Mais tarde, em julho, os EUA introduziram mais taxas contra US$ 34 bilhões (R$ 132,6 bilhões) em importações chinesas. Recentemente, a Casa Branca prometeu impor tarifas adicionais de 25% sobre US$ 16 bilhões (R$ 62,4 bilhões) em produtos chineses a partir de 23 de agosto.

    Pequim reagiu com medidas corajosas, como as tarifas sobre importações no valor de US$ 60 bilhões (R$ 234,1 bilhões) dos EUA, incluindo gás natural liquefeito (GNL) e aviões.

    Mais:

    China pode provocar falta de smartfones no mundo todo
    China protesta contra Ato de Autorização de Defesa Nacional dos EUA
    EUA consideram 'anormal' comportamento de satélite russo
    Tags:
    produtos, importação, tarifas, guerra comercial, relatório, Washington, Pequim, China, EUA
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar