14:41 23 Julho 2018
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    Navios da Marinha da Índia

    Índia está mudando sua atitude perante estratégia dos EUA no Indo-Pacífico?

    © AP Photo / Rafiq Maqbool
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    A Índia está tentando construir uma parceria no mar de modo independente sendo um participante da estratégia dos EUA para o Indo-Pacífico. Nos próximos meses o país realizará encontros diplomáticos intensivos com a China e a Rússia.

    Segundo o jornal indiano Hindustan Times, o diálogo como os parceiros visa esclarecer a relação da Índia referente ao "quadrado". Por sua vez, o portal indiano Firstpost considerou como importantes as próximas negociações com a China em meio aos recentes diálogos da Índia com a Indonésia e França, que têm posições estratégicas bem definidas na região do Indo-Pacífico.

    O diálogo "marítimo" entre a Índia e a China assume um significado especial. Os Estados Unidos convidaram a Índia, a Austrália e o Japão a participarem da cooperação com vista a contrariar a crescente influência da China na região. No entanto, o primeiro-ministro indiano Narendra Modi não considera que o "quadrado" seja o único defensor da segurança nessa região. Ele disse que não reconhece o "quadrado" como um grupo que procura dominar a área, e de modo algum acredita que esse mecanismo seja dirigido contra qualquer país.

    Nos últimos meses, Narendra Modi se reuniu por duas vezes com o presidente da República Popular da China Xi Jinping. Obviamente, as partes tiveram oportunidades de trocar opiniões sobre a construção de suas estratégias no mar, o que é importante para a Índia e para a China. As consultas especiais entre os dois países fortalecerão a parceria com base em valores e interesses comuns e excluirão quaisquer tentativas por parte de terceiros para ditar as regras do jogo nesta área. A Índia, como deixou claro Narendra Modi, não pretende estar à disposição dos EUA para servir seus interesses antichineses na estratégia do Indo-Pacífico.

    O analista russo Andrei Volodin comentou em entrevista à Sputnik China que o diálogo "marítimo" pode fortalecer essa tendência na política indiana.

    "A importância desse diálogo é definida pelo fato de a Índia estar mudando sua atitude em relação à China […] Por um lado, os EUA não estão interessados em que as relações entre a Índia e a China melhorem. Por outro, uma determinada e influente parte dos círculos políticos da Índia tinha esperança que os Estados Unidos ajudassem o país a dialogar com a China. Agora essas esperanças estão desaparecendo, e Nova Deli está olhando para as relações com Pequim sob o prisma do pragmatismo, contando com suas próprias forças", disse o analista.

    O analista chinês Su Hao acredita que a segurança marítima poderá se tornar uma nova plataforma na cooperação entre a China e Índia.

    "A segurança e cooperação marítima são uma parte importante do diálogo entre a China e Índia, especialmente no contexto da cooperação continuada entre os EUA, Japão e Austrália no desenvolvimento da estratégia para o Indo-Pacífico e das tentativas de atrair a Índia para isso", opinou Hao.

    Segundo ele, a China e a Índia devem fortalecer seus laços e intercâmbios. Para o analista, é óbvio que a chamada estratégia para o Indo-Pacífico está direcionada contra a China. Portanto, um importante ponto de partida para o desenvolvimento da situação na região será a decisão da Índia se deve ou não aderir a esse mecanismo estratégico.

    A mídia ocidental afirma que a Marinha chinesa nos oceanos Índico e Pacífico é um desafio e uma ameaça à Índia. No entanto, a atitude da Índia em relação a essa questão é extremamente cautelosa, e indiretamente Nova Deli deixa claro que não pretende formar um bloco com os EUA, Japão e Austrália. Mas o fato é que a influência da China na região do Indo-Pacífico cresceu significativamente nos últimos anos, desempenhado um papel positivo no desenvolvimento da região e na manutenção da estabilidade na Ásia como um todo. Nesse contexto a China está fortalecendo a posição da Índia na região asiática.

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    Tags:
    segurança, estratégia, Xi Jinping, Narendra Modi, Pequim, Nova Deli, Austrália, Japão, Rússia, EUA, China, Índia
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