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    Nesta foto fornecida no dia 28 de março de 2018, pela Agência de Notícias Xinhua da China, está o líder norte-coreano Kim Jong-un, à esquerda, e o presidente chinês Xi Jinping apertando as mãos em Pequim, na China.

    Duas Coreias e um yuan? Como China facilitará unificação econômica coreana

    © AP Photo / Ju Peng
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    Em 27 de abril, o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, além de trocar aperto de mãos e de ter dialogado com o líder norte-coreano Kim Jong-un, na zona desmilitarizada entre os dois países, também entregou um pen drive contendo proposta sul-coreana para o "novo mapa econômico da península coreana".

    Um artigo na "Declaração Panmunjom", nome dado à cúpula histórica do mês passado, propõe a conexão e a modernização de sistemas ferroviários e rodoviários. Muitos desses sistemas também garantirão que toda a península coreana esteja mais ligada à China e à Rússia, de acordo com um novo relatório do South China Morning Post.

    Supostamente, uma linha ferroviária ligaria Mokpo, cidade no sudoeste da Coreia do Sul, a Seul, a Pyongyang e, eventualmente, a Pequim. A primeira dessas rotas ligaria o lado oeste da península coreana à China; a outra ligaria costa leste à Rússia para a troca de energia; e outra ao longo da zona desmilitarizada para desenvolver turismo na região.

    Autoridades sul-coreanas têm se mantido em silêncio quanto ao assunto e se recusaram a dar detalhes do conteúdo do pen drive. Park Byeong Seug, membro do Partido Democrático da Coreia do Sul, disse que a proposta adere às políticas delineadas por Moon em seu influente discurso de 6 de julho, "Discurso de Berlim".

    "O conceito das três rotas foi uma das promessas do presidente Moon durante a eleição do ano passado", disse Park. "O novo mapa econômico inclui conexões ferroviárias entre as duas Coreias e o nordeste da China que se estende até a Europa."

    "Meu governo vai trabalhar para projetar um novo mapa econômico na península coreana", disse Moon no ano passado no discurso em Berlim Oriental, que era considerada parte comunista da Alemanha antes da reunificação em 1990. A decisão de realizar discurso no local em questão foi interpretada como uma possível afronta simbólica aos líderes sul-coreanos anteriores que realizaram discursos similares em Berlim Ocidental, que permaneceram apoiando o capitalismo durante a Guerra Fria. "Vamos conectar de novo o Sul e o Norte, onde foram desconectados pela linha de demarcação militar, com um vínculo econômico e estabelecer uma comunidade econômica onde as duas Coreias prosperam juntas", prometeu o líder, se as condições apropriadas forem cumpridas.

    "As Coreias do Sul e do Norte prosperarão juntas como um país de ligação entre o continente asiático e o Pacífico… Então o mundo verá um novo modelo econômico de economia de paz e prosperidade conjunta", afirmou Moon.

    Cheng Xiaohe, vice-diretor do centro de estudos estratégicos internacionais da Universidade de Renmin da China, disse que Pequim poderia tentar fazer funcionar o plano coreano em sua própria iniciativa multimilionária de rodovias e estradas, através da qual a China busca estabelecer rotas comerciais que conectem o Extremo Oriente à Índia, Europa e à África Oriental. Cheng acrescentou que o nordeste da China "tem sido o elo mais fraco da China e teve um fraco desenvolvimento econômico durante anos. Um eixo ferroviário poderia fazer uma diferença real para a região". Outros especialistas ressaltam que uma linha ferroviária transformaria a região em um centro de logística da Ásia Oriental, atraente para investidores estrangeiros.

    Tim Beal, autor do livro "Crise na Coreia: América, China e o risco de guerra", ressaltou ao serviço russo da Rádio Sputnik, que o aspecto econômico da Declaração de Panmunjom está entre os mais interessantes. "Eu acho que a integração econômica tem uma perspectiva real de garantir que a paz permaneça em vigor", acrescentando que "toda a região ganhará se isso for nessa direção".

    No entanto, a reunificação econômica, ou mesmo a normalização, continua sendo extremamente difícil para a Coreia do Norte, pois as sanções ocidentais que estão em vigor impedem o investimento no país. As Nações Unidas podem considerar suspender essas sanções, visto que Kim prometeu trabalhar na desnuclearização completa da península, tendo Moon assumido seus planos econômicos ainda em julho do ano passado em Berlim.

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    Tags:
    planos, economia, rota, unificação, Xi Jinping, Kim Jong-un, Moon Jae-in, Rússia, Pequim, Europa, Coreia do Sul, Coreia do Norte, China
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