16:25 14 Novembro 2019
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    Pássaros voando na região do arquipélago Ártico Canadense

    Por que China escolhe caminho com Rússia no desbravamento do Ártico?

    © AP Photo/ David Goldman
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    No dia 26 de janeiro, o governo chinês publicou o primeiro Livro Branco sobre a política da China no Ártico, declarando sua intenção, "juntamente com outros Estados", de criar caminhos marítimos na região do Ártico no âmbito da iniciativa Rota da Seda Polar.

    O interesse da China na rota marítima em questão pode ser explicado através da desestabilidade de outros caminhos marítimos, especialmente em termos de segurança. Além disso, há pouquíssimas rotas.

    A rota básica pelo canal de Suez e mar Mediterrâneo está sobrecarregada. Além do mais, o Oriente Médio é uma zona instável. No fim das contas, ninguém sabe como vão se comportar os países árabes, o que é um risco grande.

    Outro potencial caminho percorre América Central, entrando, aqui, o canal do Panamá ou hipotético canal da Nicarágua. Mas a utilização destes trajetos é somente vantajosa no comércio com o continente americano.

    Consecutivamente, restam duas vias polares que são genuinamente estratégicas. Há Passagem do Noroeste (Northwest Passage, em inglês), que possui alguns problemas. Por exemplo, o Canadá acredita que esta via passa por suas águas territoriais. Outro aspecto a ser levado em consideração são os Estados Unidos: ninguém quer pegar um caminho comercial que seja controlado por um concorrente estratégico.

    A outra via é a Rota da Seda Polar. Se analisarmos os interesses russos, os chineses são "compradores de serviços" permanentes, da frota de quebra-gelo até transbordo portuário. Na Rota Marítima do Norte estarão interessados os japoneses, coreanos, e vietnamitas, bem como os países da União Europeia. Mas a China será o principal "atacadista do trânsito".

    Além do trânsito, a China tem interesse na exploração dos recursos naturais do Ártico, e a Rússia procura desenvolver infraestrutura na região. Não é por acaso que a Rússia vem investindo na área militar na região, pois é necessário proteger suas riquezas. O dinheiro chinês e suas tecnologias também encontrarão aplicação na Rota Marítima do Norte.

    Por isso, tanto a Rússia como a China veem a necessidade de cooperar na exploração da região. Boa vizinhança e interesses comuns são melhores formas de fortalecer a cooperação além do Ártico.

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    Tags:
    militar, poder, recursos naturais, comércio, Rota da Seda, Ártico, Rússia, China
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