22:58 22 Abril 2018
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    Como o resultado das eleições nepalesas pode significar queda de braço entre China e Índia

    © REUTERS / Navesh Chitrakar
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    No início de dezembro, as duas ramificações do Partido Comunista dos Nepal ganharam 174 dos 275 assentos na Câmara dos Deputados do Nepal. A mudança indica que o Nepal pode se afastar da influência indiana e se aproximar de uma China emergente.

    Atualmente, o país é controlado pelo candidato pró-indiano do Congresso Nepalês, Sher Bahadur Deuba. Mas com a vitória dos partidos comunistas, o caminho foi liberado para um novo primeiro-ministro comunista: Khadga Prasad Oli do Partido Comunista do Nepal, que anteriormente ocupava o cargo de outubro de 2015 a agosto de 2016.

    A eleição revelou "até que ponto a China emergirá como uma alternativa viável para a Índia na política externa do Nepal", escreveu analistas na empresa de pesquisa geopolítica Stratfor do Texas, em um comentário sobre a eleição. "Uma coisa, no entanto, é certa: a rivalidade entre a Índia e a China para a influência no Nepal apenas aumentará".

    Oli já criticou Nova Deli e fortaleceu os laços econômicos com Pequim. Espera-se que consiga viabilizar um projeto hidrelétrico de US $ 2,5 bilhões para o consórcio chinês Gezhouba Group, cancelado pelo antecessor Deuba.

    "Para Katmandu, há uma maior margem de manobrabilidade entre a China e a Índia", declarou a Fundação de Pesquisa de Observadores do Pensilvânia à CNBC.

    Entre as duas nações mais populosas do mundo, o Nepal tradicionalmente se inclinou para a Índia no tabuleiro geopolítico. Ambas as nações têm maiorias hindus e a Índia tem sido principal patrocinadora do governo nepalês desde a década de 1950. A Índia também é de longe o maior parceiro comercial do país montanhoso, representando mais de 50% de suas receitas de importação e exportação.

    Mas o Nepal também tem sofrido grande agitação política e econômica desde o fim da guerra civil de 10 anos entre grupos monarquistas e rebeldes comunistas em 2006. Os comunistas entraram no governo e a monarquia foi desestabilizada em favor de uma república democrática.

    A ascensão dos partidos maoístas como uma das forças políticas dominantes no Nepal gradualmente provocou a separação nas relações. Em setembro de 2015, Katmandu acusou Nova Deli de criar um bloqueio de facto e um embargo de combustível, uma acusação que a Índia negou.

    O suposto bloqueio, que ocorreu logo após um grande terremoto em abril de 2015, teria levado a escassez de alimentos, combustível e medicamentos no Nepal. Para a Stratfor, o bloqueio "deu ao governo um incentivo para diversificar suas relações através de laços mais estreitos com a China".

    Recentemente, China anunciou que o Nepal será uma parte fundamental do projeto 'Um Cinturão, uma Rota', uma rede de infraestrutura de vários bilhões de dólares que pretende aumentar o comércio exterior — e a influência chinesa — em toda a Ásia.

    Tags:
    Um Cinturão, uma Rota, CNBC, Fundação de Pesquisa de Observadores do Pensilvânia, Gezhouba Group, Stratfor, Congresso do Nepal, Khadga Prasad Sharma Oli, Sher Bahadur Deuba, Katmandu, Nova Deli, Pequim, China, Nepal, Índia, Texas
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