16:34 17 Julho 2018
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    Navio chinês (foto de arquivo)

    Pequim está a caminho de se converter em grande potência marítima?

    © AFP 2018 / YAMIL LAGE
    Ásia e Oceania
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    A Rússia tem muito para oferecer à China, país que pouco a pouco se torna uma importante potência marítima, asseguram os participantes da 4ª conferência internacional Desafio Euroasiático, organizada pelo governo de São Petersburgo.

    De acordo com um artigo publicado no jornal russo Rossiyskaya Gazeta, a China superou a ideia da Grande Rota da Seda e agora procura se consolidar como uma verdadeira potência marítima. Isso pode ser observado nos recentes projetos de Pequim, como o da Rota da Seda no Gelo.

    Além disso, na China começou uma reforma de larga escala dos manuais escolares, nos quais se enfatiza o papel histórico do comércio marítimo e das viagens marítimas na China, desde a antiguidade e especialmente na Idade Média, sublinha Polina Rysakova, socióloga da Universidade Estatal de São Petersburgo.

    Segundo a pesquisadora, a China está criando uma "nova consciência oceânica" na nova geração. O motivo é o desejo de se aproximar dos países estrategicamente importantes do oceano Índico, bem como da região produtora de petróleo, o golfo Pérsico, e a urgência de dominar as importantes rotas de transporte do mar do Sul da China.

    No entanto, para a realização do projeto da Rota da Seda marítima, há uma série de obstáculos, desde a ameaça da pirataria na costa da Somália até à capacidade limitada do estreito de Malaca, principal artéria de transporte que liga os oceanos Índico e Pacífico. O número máximo de navios que passam pelo estreito é de 120 mil por ano, enquanto apenas a China precisará de 140 mil até 2020.

    Nesse sentido, é mais vantajoso viajar ao longo do Ártico, a chamada Rota da Seda no Gelo, enfatizam os especialistas russos.

    O primeiro navio porta-contêineres chinês passou pelo oceano Ártico em 2013. Este ano, 11 navios chineses foram autorizados a utilizar esta rota, incluindo, em setembro passado, um navio mercante chinês que atravessou o oceano Ártico e ancorou em São Petersburgo para reabastecer.

    Esta cidade, por sua vez, tem sido o verdadeiro coração marítimo da Rússia nos últimos quatro séculos, sublinhou o governador Georgy Poltavchenko.

    "A Rota da Seda marítima não deve de modo algum ser restringida apenas aos territórios do sul, pelo contrário, é necessário diversificar os fluxos de transporte da China para a Europa, e devemos ter uma rede de corredores de transporte em todo o continente euroasiático. Ao mesmo tempo, é importante que a cooperação seja baseada em uma plataforma multilateral que envolva todas as partes interessadas ", concluiu o cientista político Konstantin Pantsyrev, da Universidade Estatal de São Petersburgo.

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    Tags:
    rota marítima, nova rota da seda, Ártico, Mar do Sul da China, Rússia, China
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