17:57 21 Maio 2018
Ouvir Rádio
    Agentes das Forças de Segurança do Afeganistão e os soldados norte-americanos

    Vingança: tropas dos EUA no Afeganistão entram em alerta após anúncio sobre Jerusalém

    © AP Photo/ Rahmat Gul
    Ásia e Oceania
    URL curta
    692

    As tropas dos EUA no Afeganistão estão sob um alerta especial chamado "Aviso para Mover" após a decisão dos EUA sobre Jerusalém, de acordo com o Military Times. O anúncio do presidente Donald Trump foi recebido com raiva em todo o Oriente Médio, provocando temores de que as tropas dos EUA sejam um alvo em potencial agora.

    "Estamos todos em uma 'nota de uma hora para mover', este é o status agora", disse um oficial militar não identificado ao jornal. "Aviso para Mover é o QRF [Força de Reação Rápida] de terceira categoria que eles correm aqui com a Força de Reserva. Podemos mover-se para qualquer lugar no Afeganistão ou CENTCOM [Comando Central dos EUA], se necessário, onde quer que o ar possa nos levar".

    Alertas podem ser dados para "qualquer tipo de contingência", e as tropas são normalmente treinadas para resgatar pilotos abatidos, de acordo com o oficial. O aviso em questão foi alegadamente resultado de ameaças crescentes na região após o anúncio da Casa Branca sobre a mudança da embaixada dos EUA de Tel Aviv para Jerusalém, disse ele.

    Não é surpreendente que as tropas fiquem alertas no Afeganistão porque essas forças estão sempre prontas para reagir às ameaças e eventos da região, de acordo com o tenente-coronel Michael Andrews da Força Aérea, porta-voz do Pentágono.

    Entretanto, não houve "nenhuma diretiva geral do CENTCOM ou uma ordem de todo a força", disse Andrews ao jornal, acrescentando que não houve "mudança na postura".

    O CENTCOM não confirmou nem negou que alguma força tenha sido colocada em alerta após a decisão do presidente dos EUA. "No Comando Central dos EUA, não emitimos nenhuma ordem ou diretiva especial. Temos uma política para não discutir as medidas de proteção da força", afirmou.

    O comando acrescentou, no entanto, que tem "planos de contingência no local em que a violência explode em nossa área de operações".

    O relatório surge apenas um dia após o agrupamento paramilitar xiita do Iraque Harakat Hezbollah al-Nujaba — parte das poderosas Unidades de Mobilização Popular — advertir que a decisão de Jerusalém dos EUA pode desencadear ataques contra tropas norte-americanas implantadas na região.

    "A decisão estúpida de Trump será a grande faísca para remover essa entidade [Israel] do corpo da nação islâmica e uma razão legítima para atacar as forças americanas", disse Akram al-Kaabi, líder da organização iraquiana.

    O grupo terrorista Al-Qaeda (AQAP), com sede no Iémen, disse que a decisão de mudar a embaixada dos EUA em Israel foi o resultado do chamado "passos de normalização" entre alguns países árabes do Golfo e Israel. Ele também exortou seus militantes a estar prontos para apoiar os palestinos, chamando o recente passo de Washington "um desafio claro para o mundo muçulmano".

    Trump anunciou sua decisão de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel em 6 de dezembro. "Hoje, finalmente reconhecemos o óbvio — que Jerusalém é a capital de Israel. Isso não é nada mais ou menos que um reconhecimento da realidade", disse ele durante um discurso que provocou fúria e indignação em todo o Oriente Médio e pelo mundo.

    Na noite e no dia que se seguiram, maciças manifestações antiamericanas entraram em erupção na Cisjordânia, Jordânia e Turquia, envolvendo frequentemente a queima de bandeiras israelenses e dos EUA. Os manifestantes gritaram insultos anti-americanos e pediram vingança.

    Mais:

    'Jerusalém é como uma esposa, não pode ser dividida'
    Influência de evangélicos teria sido crucial para decisão de Trump sobre Jerusalém
    Merkel se opõe à decisão de Trump sobre Jerusalém
    Tags:
    muçulmanos, ataque, vingança, guerra, Harakat Hezbollah al-Nujaba, Al-Qaeda na Península Arábica (AQPA), Al-Qaeda, Comando Central dos EUA, Donald Trump, Akram al-Kaabi, Michael Andrews, Jerusalém, Israel, Afeganistão, Estados Unidos
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik