09:10 16 Outubro 2018
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    Pessoas assistem às noticias sobre lançamento do míssil Hwasong-15 efetuado pela Coreia do Norte em 28 de novembro

    Como 'cachorrinho doente' pode fazer EUA perder a face

    © REUTERS / Kim Hong-Ji
    Ásia e Oceania
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    A cada dia fica mais difícil nos livrarmos da sensação de que o mundo está observando com crescente malícia a forma como os EUA tentam sair da cilada que eles próprios armaram no conflito com a Coreia do Norte.

    É bem conhecido que, depois alguns meses de calma, Pyongyang realizou mais um lançamento, já o vigésimo deste ano, e parece que desta vez o míssil assustou muita gente, sobretudo em outros continentes. É bem conhecido que, depois alguns meses de calma, Pyongyang realizou mais um lançamento, já o vigésimo deste ano, e parece que desta vez o míssil assustou muita gente, sobretudo em outros continentes.

    O Ocidente tinha vindo durante anos a criar uma imagem da Coreia do Norte como de um país cujas ameaças e declarações não tinham grande fundamento. No entanto, embora os analistas nunca tivessem rido das capacidades norte-coreanas na área da indústria militar, as brincadeiras sobre os lançamentos fictícios de mísseis de Pyongyang desempenharam seu papel no desprezo condescendente do mundo pela tecnologia militar de Kim Jong-un.

    Foi por isso que o teste de 29 de novembro teve um efeito tão assustador. Se antes o alcance de mísseis norte-coreanos nem atingia 1.500 km, o Hwasong-15 demostrou que as declarações sobre "atingir qualquer ponto dos EUA" não eram apenas palavras.

    Ficou claro que os Estados Unidos não podem fazer nada com a pobre e fraca mas tão teimosa Coreia do Norte. Para a analista da Sputnik Irina Alksnis, Washington a cada momento "perde a face" de potência mais poderosa no mundo, que usa meios políticos e econômicos porque além disso nada pode fazer.

    Por mais que Trump insulte Kim, por mais que a representante dos EUA na ONU apele a romper todos os laços com a Coreia, não se pode negar o fato de que Coreia do Norte já possui realmente um míssil que pode atingir qualquer parte dos EUA, opina analista.

    No entanto, a situação para os EUA piora ainda mais porque os países vizinhos da Coreia do Norte e aliados de Washington, a Coreia do Sul e o Japão, não querem combater: mesmo que o míssil de Pyongyang não atinja o continente norte-americano, Tóquio e Seul acabarão de alguma maneira por ser afetadas.

    A Rússia e a China têm uma posição mais moderada em relação ao programa nuclear da Coreia do Norte: não apoiam os lançamentos e declarações agressivas, no entanto admitem que os norte-coreanos se sentem ameaçados e pressionados por Washington, sendo essa a forma de eles se protegerem.

    As tentativas dos EUA de dividir a responsabilidade pela tensão na península coreana com a Rússia e a China ou até de fazê-las tomar decisões no conflito em que Washington mergulhou resultam em nada.

    Durante os últimos anos a Rússia mostrou que, com recursos e capacidades limitados, é possível entrar no grande jogo político, enfatiza Alksnis. No caso dos EUA, podemos ver o processo contrário: como uma grande potência pode perder seu status de uma vez por todas apenas devido a um país pequeno mas obstinado.

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    Tags:
    armas nucleares, mísseis balísticos intercontinentais, ataque, Donald Trump, EUA, Coreia do Norte
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