22:59 15 Outubro 2018
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    Guardas de fronteira da Rússia nas Ilhas Curilas

    Mídia: militarização das Curilas pela Rússia é um determinado sinal para Japão

    © Sputnik / Yuriy Somov
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    O reforço das Forças Armadas russas nas Ilhas Curilas não é só uma parte da estratégia de defesa, mas também um determinado "sinal", escreveu Yu Koizumi no seu artigo para o Yahoo News.

    Se a Rússia tenciona militarizar as Curilas apesar de todas as dificuldades, isso significa que existem outras razões, como por exemplo, a intenção de ganhar vantagem nas negociações com o Japão, acredita o autor do artigo no Yahoo News, citado pelo RT

    Desde a visita do presidente russo Vladimir Putin ao Japão em 2016 não surgiram nenhumas perspectivas de regularização do problema territorial que preocupa Moscou e Tóquio. A Rússia não só continua deslocando forças para as ilhas de Kunashir e Iturup, como as está modernizando, afirma Yu Koizumi.

    Em novembro do ano passado surgiu a informação sobre a instalação de sistemas de defesa antinavio nas duas ilhas e, em fevereiro deste ano, o ministro russo da Defesa Sergei Shoigu comunicou sobre a implantação de uma divisão nesta zona. Paralelamente a Rússia está modernizando as suas bases nas Curilas conforme mostram as imagens de satélite. 

    Além disso, informa ele, em junho de 2017 o presidente russo Vladimir Putin sublinhou que classifica as forças russas nas ilhas Curilas como "fator de contenção" em relação à presença militar norte-americana na Ásia Oriental. "Desta forma, ele debilita a parte japonesa, sublinhando o papel militar das Curilas do Sul". 

    A Rússia também está empreendendo novos passos. O senador russo Frants Klintsevich acrescentou que, na parte central das Curilas, em breve vai ser criada uma nova base da Marinha, capaz de vai receber quaisquer navios, bem como uma rede de aeródromos. De acordo com a maioria da mídia russa, a base vai ser criada na ilha de Matua. 

    Anteriormente já havia sido destacado que as Ilhas Curilas são muito importantes para a Rússia do ponto de vista estratégico, afirma o artigo. Em primeiro lugar, o mar de Okhotsk é patrulhado por submarinos nucleares dotados de mísseis balísticos. Este mar, bem como o Oceano Glacial Ártico, é a base para as forças da contenção nuclear da Rússia.  Em segundo, o mar de Okhotsk é o fim da Rota Marítima do Norte que, segundo a Rússia, no futuro vai se tornar uma das rotas mundiais mais importantes. 

    De acordo com um ex-comandante da Frota do Báltico Vladimir Valuev, a ideia da construção de uma base nas Ilhas Curilas havia discutida anteriormente mas foi rejeitada devido ao fato de as condições climáticas desfavoráveis (mar gelado, ventos fortes e grande amplitude das marés) implicarem gastar muito dinheiro para manter a base funcional. 

    "Se a Rússia pretende militarizar as Curilas apesar de todas essas dificuldades – o mais provável é que existam outros razões para além da necessidade militar. Por exemplo, obter vantagem nas negociações com o Japão", supõe Yu Koizumi. 

    Ele acrescenta também que não foi por acaso que a Rússia realizou as manobras conjuntas com a Marinha da China na parte sul do mar de Okhotsk.  Assim, de acordo com ele, o deslocamento da frota para áreas que ficam perto dos territórios em disputa é um sinal de que as partes manifestam “apoio político oculto” uma a outra. Por isso, vários analistas propõem encarar a militarização destas ilhas como um “sinal político” de que o Kremlin sublinha a importância estratégica do mar de Okhotsk e considera as pretensões do Japão como inaceitáveis.  

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    Tags:
    defesa, analista, militarização, disputa territorial, preocupação, presença militar, manobras, forças armadas, política, Curilas, Japão, Rússia
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