14:51 22 Novembro 2019
Ouvir Rádio
    Um homem digita em um teclado de computador

    China quer acabar com os hackers e dominar o mundo com a ajuda da física quântica

    © REUTERS / Kacper Pempel
    Ásia e Oceania
    URL curta
    8152
    Nos siga no

    No final de setembro ocorreu um evento histórico na China. Uma equipe de criptógrafos e físicos chineses da Academia de Ciências realizou uma chamada de vídeo de meia hora com seus homólogos em Viena, usando criptografia quântica, uma tecnologia pioneira que torna impossível piratear ou ouvir comunicações.

    A inovação é uma mudança radical no mundo da segurança, conforme publicado pela revista norte-americana Newsweek.

    Embora o estudo deste tipo de tecnologia seja realizado em diferentes instituições do mundo ocidental, como, por exemplo, a Universidade da Califórnia, apoiada pelo Google, e a Universidade Técnica de Delft na Holanda, apoiada pela União Europeia, são os chineses que fizeram o maior progresso em termos de sua implementação.

    Um mundo sem "hackers"

    A ferramenta abre horizontes de segurança cibernética até então desconhecidos para a China. Com este tipo de codificação, o sonho de uma comunicação perfeitamente segura se torna realidade, o que poderia libertar o mundo de problemas como fraude on-line ou roubo de identidade, bem como ataques de hackers e espionagem eletrônica.

    Por outro lado, a ferramenta também pode permitir que terroristas e criminosos se comuniquem sem serem detectados e que os governos possam ocultar segredos sem que ninguém os descubra.

    No mundo da criptografia indecifrável, toda comunicação eletrônica humana poderia se tornar completamente privada, o que teria conseqüências inconcebíveis ao nível da segurança cibernética. Tudo isso daria à China um poder ilimitado sobre as informações, se este país se tornar o único fornecedor de criptografia quântica. E, precisamente, é o que o governo chinês procura alcançar, aparentemente.

    "Cifras mais próximas a inquebráveis"

    A chamada entre Pequim e Viena foi feita através de uma conexão convencional através do Skype. No entanto, o aspecto revolucionário foi o código de criptografia da chamada, extremamente seguro porque foi gerado em um dispositivo quântico montado em um satélite chinês.

    "A criptografia quântica é a coisa mais próxima das cifras inquebráveis que possivelmente possamos obter", disse à Newsweek Artur Ekert, professor da Universidade de Oxford e inventor do modelo em que os chineses basearam seu sistema. "Ao contrário dos sistemas matemáticos, a criptografia quântica é baseada nas leis da física, que não podem ser quebradas", emendou.

    Como funciona a criptografia quântica?

    O método de criptografia de Ekert é baseado em um efeito extraordinário conhecido como emaranhamento quântico, que ainda não é totalmente explicado pela ciência. Mesmo Albert Einstein, ao descobri-lo, descreveu-o como uma "ação assustadora à distância".

    Sob este efeito, duas partículas leves, conhecidas como fótons, copiam exatamente o comportamento um do outro, mesmo que sejam separadas por grandes distâncias. Durante a chamada histórica entre Pequim e Viena, cientistas — com a ajuda do emaranhamento quântico — conseguiram criar um código secreto composto por uma série de informações que aparecem simultaneamente em diferentes cantos da Terra.

    O sinal quântico, em todo o mundo

    A China gastou bilhões de dólares — o custo real do projeto é desconhecido — para criar uma infraestrutura que lhe permite transmitir códigos quânticos em todo o país. A nação possui estações de base, satélites e milhares de quilômetros de cabo de fibra óptica para transmitir sinais quânticos.

    De acordo com uma fonte de segurança anônima citada pela publicação, pelo menos 600 ministros chineses e oficiais militares estão usando códigos quânticos para realizar suas comunicações confidenciais.

    De acordo com os comentários na revista Ciência e Tecnologia do principal pesquisador do projeto quântico chinês, o físico Pan Jianwei, em cinco anos a nação lançará um novo satélite que orbitará a Terra a uma altitude de 20 mil quilômetros e cobrirá uma área muito mais vasta do planeta.

    Além disso, a estação espacial tripulada chinesa, cuja implementação está prevista para 2022, terá uma carga útil que permitirá experiências com comunicações quânticas. O objetivo final é a criação de um sistema de satélites geoestacionários que pode abranger toda a superfície do mundo.

    Mais:

    China se dirige aos EUA: fiquem longe das conversas sobre mar do Sul da China
    China considera prender por até três anos quem desrespeitar o hino nacional
    China e Coreia do Sul ensaiam reaproximação diplomática
    Tags:
    espionagem, guerra cibernética, computação, Internet, física quântica, tecnologia, hackers, Universidade da Califórnia, Universidade de Oxford, Albert Einstein, Artur Ekert, Pequim, Viena, Áustria, China
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar