20:47 21 Junho 2018
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    Soldados das Forças Especiais da Indonésia, também conhecidos como Kopassus, durante um exercício conjunto contra o terrorismo com a unidade de elite SAS da Austrália no Aeroporto Internacional de Bali, em Kuta, Indonésia, 28 de setembro de 2010.

    Especialista: terroristas estão atuando cada vez mais descaradamente no Sudeste Asiático

    © AP Photo / Firdia Lisnawati
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    A Rússia está preocupada com o crescimento das ameaças terroristas no Sudeste Asiático, disse o ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, em reunião dos ministros da Defesa dos países-membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN, na sigla em inglês) e de seus parceiros das Filipinas, em 24 de outubro.

    De acordo com Shoigu, para a região se deslocam militantes do Daesh (organização terrorista proibida na Rússia) que foram expulsos da Síria e do Iraque. Além disso, o ministro destacou que cada vez mais se percebem os fluxos financeiros que vão aos países da região da Ásia-Pacífico para apoiar células terroristas locais e efetuar ataques terroristas.

    A cientista política da Universidade Estatal de Moscou de Relações Internacionais (MGIMO), Larisa Efimova, acredita que o Daesh esteja planejando deslocar o centro da sua atividade do Oriente Médio para o Sudeste Asiático, levando em consideração, claro, que na região há uma série de fatores que favorecem o deslocamento.

    "Os principais países muçulmanos do Sudeste Asiático são ilhas, por exemplo, na Indonésia, das 17,5 mil ilhas, apenas seis mil são habitáveis. As outras são ótimos lugares para deslocação dos terroristas. Lá há muitas baías, golfos e estreitos onde é possível se esconder com facilidade em barcos pequenos. Para se alimentar, há peixe e outros mariscos em abundância. Nos países do Sudeste Asiático sempre reina o verão, a cor verde das florestas pode mascarar os militantes o ano inteiro. Além disso, através do Sudeste Asiático passam as rotas marítimas estratégicas. O estreito de Malaca está bem protegido, mas como ele é sobrecarregado, apareceram rotas pelo mar de Sulu entre a Indonésia, Malásia e Filipinas. Lá estão instalados piratas, e a pirataria é uma fonte muito importante do financiamento dos terroristas", explicou Larisa Efimova em entrevista à Sputnik Vietnã.

    Para ela, a coisa mais importante é que o Sudeste Asiático já está repleto de focos de tensão:

    "Nas Filipinas, onde depois de cinco meses de batalha, o exército e o órgãos da execução da lei conseguiram libertar a cidade de Marawi. E em Mianmar, onde os rohingya, que tiveram cidadania negada pelo governo, pedem ajuda aos muçulmanos, tudo isso pode ser usado pelo Daesh em seus próprios interesses. Vale lembrar que no sul da Tailândia, onde os muçulmanos malaios exigem a autonomia cultural e nacional, bem como reconhecimento como muçulmanos malaios, ao invés de tailandeses, e o governo implementa a política de 'pantaísmo': nada de malaio, todos devem ser tailandeses; isso também pode ser usado pelos terroristas para penetrar no território."

    Contudo, na opinião da especialista, a batalha por Marawi se tornou uma boa lição para os países do Sudeste Asiático, pois, a partir de agora, todas as manifestações de extremismo muçulmano estão sendo observadas com mais atenção em conjunto para enfrentar terrorismo, documentando e trocando informações entre serviços de segurança, por exemplo, entre a Malásia, Indonésia e Filipinas, entre o Vietnã e Singapura. A Rússia se interessa pela derrubada dos terroristas, por isso deu início ao fornecimento de armas ligeiras ao exército filipino.

    Vu Quang Hien, especialista nos países da Ásia-Pacifico da Universidade de Hanói, ao falar com a Sputnik Vietnã, notou:

    "De fato, em junho deste ano, no âmbito do Fórum para questões de segurança em Singapura, os ministros da Defesa de Singapura, Filipinas, Indonésia e Malásia por unanimidade expressaram preocupação devido à crescente atividade de grupos terroristas na região. O chefe do Ministério da Defesa singapuriano sublinhou que essa é ameaça principal na região. Segundo alguns cálculos, no mínimo, há 31 grupos terroristas espalhados na região. Os terroristas amedrontam a população, muitas vezes com pistolas apontadas para simples civis. O terreno difícil na maioria dos países da região, em especial nas áreas fronteiriças, possibilita a criação de bases terroristas."

    Continuando, "infelizmente, há exemplos de ataques terroristas bem-sucedidos em zonas urbanas também. Os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático devem organizar a troca de informação sobre os grupos terroristas que atuam em seu território, porque há muitas chances de ativação terrorista futura na região. Os ataques dos militantes do Daesh na cidade filipina de Marawi servem como exemplo. Pode-se dizer que, em meio ao crescimento da ameaça terrorista, o risco dos 'pontos quentes' no mar do Sul da China vai para o segundo lugar".

    O analista ressalta que os líderes dos países do Sudeste Asiático também expressam preocupação com o crescimento da influência política do Daesh na região onde mora uns 15% do número total de adeptos do Islã de todo o mundo.

    "É fácil adivinhar no que pode resultar o sucesso das ideias do Islã na região. Extremistas visam criar um movimento fundamentalista no Sudeste Asiático através da combinação de 'esforços' dos grupos extremistas de vários países: Indonésia, Malásia, Singapura, Brunei e Filipinas. O ministro da Defesa da Malásia expressou a esperança de reforço dos países da região, em especial os muçulmanos, para impedir tal cenário. No fim do ano passado, o comandante das Forças Armadas da Indonésia notou a existência de bases extremistas na ilha meridional filipina de Mindanau, o que mais uma vez prova a que ameaça está sujeito o sistema de segurança do Sudeste Asiático influenciado por grupos terroristas."

    Em especial, trata-se das Filipinas, Indonésia, Malásia e Tailândia. Por exemplo, no sul das Filipinas atua o grupo terrorista Abu Sayyaf que é um tipo do "grupo afiliado" do Al-Qaeda afegão, mas não "prestou lealdade" ao "Daesh sírio-iraquiano". É um dos primeiros grupos extremistas da região que vem atuando desde 1990. É "famoso" pelo massacre dos cristãos locais em 2001. Em 2005, Abu Sayyaf realizou simultaneamente três explosões em três cidades: Manila, General Santos e Davao, resultando na morte de oito pessoas e 150 ficaram feridas. Depois seguiram os ataquem em 2008 e em 2015. Em março de 2016, os islamistas dessa organização fizeram marinheiros indianos de reféns em troca de dinheiro e, no início de 2017, cidadãos tailandeses.

    Estes exemplos significam que os terroristas no Sudeste Asiático atuam cada vez mais bruscamente. No início de 2017, no centro de Jacarta, foi realizado um ataque terrorista maciço com uso das substâncias explosivas contra estrangeiros e forças de segurança.

    Vu Quang Hien adicionou que "não é correto pensar que terrorismo ameaça somente países com predominante população mulçumana ou onde mora um número pequeno de adeptos do Islã: Filipinas, Indonésia e Tailândia. Tais países como Laos e Camboja também podem ser alvos do terrorismo. Até o Vietnã que já durante muito tempo continua na zona de paz e estabilidade na região, destino turístico na região, não está protegido contra a ameaça terrorista. É preciso perceber isso e prestar muita atenção ao fortalecimento da segurança comum. No Vietnã este trabalho está sendo realizado muito cuidadosamente e consecutivamente em todas as direções".

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    Tags:
    islã, piratas, ataque terrorista, extremismo, terrorismo, Daesh, Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN)
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