15:23 20 Novembro 2017
Ouvir Rádio
    Um militar das Forças Armadas da China

    Opinião: Coreia do Norte pode provocar algo impensável – a guerra entre EUA e China

    © Sputnik/ Iliya Pitalev
    Ásia e Oceania
    URL curta
    3014854326

    Adversários com armas nucleares que combatem em territórios urbanos podem causar uma crise humanitária inimaginável. Mas o cenário pode ser ainda pior se se desencadear uma guerra entre a China e os EUA, afirma a publicação The National Interest.

    Dois Lanceiros B-1B das Forças Aéreas dos EUA
    © REUTERS/ Tech. Sgt. Kamaile Casillas/Pacific Air Forces/DVIDS
    A China e os EUA poderiam não ter entrado em guerra em 1950. A guerra surgiu nomeadamente como resultado de um erro de cálculo das intenções e capacidades da China pelos EUA: os EUA falharam em detectar o deslocamento do exército chinês para o território da Coreia, não prestaram a atenção suficiente para os sinais da China e não perceberam os esforços diplomáticos do país, acrescentou Robert Farley  no seu artigo do The National Interest.

    Assim, a intervenção chinesa se tornou uma surpresa, afirma o autor. A primeira Guerra da Coreia não funcionou bem para nenhum país, embora os EUA e a China tivessem conseguido manter a independência de seus "fantoches". 

    A Guerra da Coreia pode se desencadear de novo por vários motivos. A queda do regime norte-coreano pode provocar uma competição por Pyongayng que, por sua vez, pode desencadear um conflito entre as duas potências militares, afirma Robert Farley.

    É pouco possível que a China considere a resposta dos EUA a um ataque norte-coreano como um motivo legítimo para a guerra, a menos que tal resposta ultrapasse certas linhas vermelhas. 

    O analista do The National Interest aponta que Pequim não quer ver as tropas norte-americanas ao longo do rio Yalu. Além disso, ele aponta que a China pode encarar um ataque dos EUA à Coreia do Norte como um sinal de uma agressão incorrigível, a evidência de que os EUA são um verdadeiro “Estado pária”, que pode ou não atacar a China no futuro.

    Como prelúdio da intervenção, a China vai começar mostrando seu descontentamento através de preparativos militares, bem como de condenações diplomáticas, sublinha ele. A administração Trump enfrenta riscos de uma interpretação errada de declarações da China, tal como aconteceu em 1950. Os EUA podem classificar estes sinais como a indicação da disposição chinesa de se comprometer ou podem não os entender. 

    Ao mesmo tempo, de acordo com Farley, se Pequim for sério, começaria a retirar os seus sistemas de longo alcance da fronteira com a Coreia do Norte para locais mais seguros no interior do país. 

    Se a guerra começar com uma resposta chinesa a uma provocação dos EUA, a China vai inicialmente limitar as suas atividades à península da Coreia. Pequim poderá querer enviar uma mensagem de seriedade para Washington sem desencadear uma guerra maior, na esperança de que a administração Trump vá se abster da agressão. 

    Os mísseis balísticos e de cruzeiro chineses vão atingir as instalações militares dos EUA e da Coreia do Sul, incluindo as bases aéreas, os centros de comunicação e facilidades logísticas. Se as forças dos EUA e da Coreia do Sul intervirem no território da Coreia do Norte, a China pode se focar na utilização de armas em posições avançadas, embora o exército chinês não deva querer gastar munições importantes para as forças convencionais ao longo da linha de frente. 

    A mesma estratégia deu certo em 1950, os EUA se abstiveram de ataques ao território chinês, não mobilizaram as forças do Japão e não utilizaram as armas nucleares, apontou  Robert Farley. 

    A guerra ente os EUA e a China é um cenário pouco imaginável mas não impossível. Durante a Guerra da Coreia os EUA conseguiram confinar o conflito e não permitir a escalação. Mas, de acordo com o autor, não fica claro se conseguirão fazer isso em 2017.

    Se uma guerra se desencadear, os diplomatas e políticos chineses e norte-americanos teriam que trabalhar intensamente para limitar a extensão da destruição.

    Mais:

    'Dança guerreira' em torno da Coreia do Norte visa afetar China
    China revida recado da Coreia do Norte: guerra nuclear não reflete interesses de ninguém
    Tags:
    resposta militar, tensões, cenário, regime, defesa, analista, agressão, mísseis balísticos, exército, conflito armado, perigo, política, ataque, ameaça, Guerra da Coreia, Coreia do Norte, China, EUA
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik