10:56 05 Junho 2020
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    Kim Yo-jong, a irmã do líder norte-coreano Kim Jong-un, chamou a atenção da imprensa internacional neste fim de semana ao ter sido promovida para o Politburo do Partido dos Trabalhadores da Coreia, o órgão decisório mais importante do país. Mas afinal, o que se sabe sobre essa figura misteriosa?

    A decisão de Kim Jong-un foi anunciada neste sábado, durante uma reunião do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores. O mandatário informou sobre a reorganização do gabinete, no âmbito da qual a sua irmã foi nomeada membro suplente do Politburo. O cargo permite a participação nos debates desse órgão de decisões políticas, mas não confere o poder de voto.

    A imprensa especula que Kim Yo-jong está substituindo a sua tia, Kim Kyong-hui, que foi uma figura política influente durante o governo de Kim Jong-il, pai do atual líder.

    Entre as poucas informações que circulam, se sabe que Kim Yo-jong é filha mais nova de Kim Jong-il com sua esposa Ko Yong-hui. A jovem, segundo diferentes fontes, tem entre 28 e 30 anos.

    Desde maio de 2016, Kim Yo-jong foi vice-diretora do Departamento de Propaganda e Agitação do Partido dos Trabalhadores da Coreia. Antes disso, teria realizado trabalhos de bastidores para seu pai e seu irmão.

    Em janeiro deste ano, o Departamento do Tesouro dos EUA incluiu Kim Yo-jong em sua lista negra, junto com outros funcionários do governo norte-coreano, por "graves abusos contra os direitos humanos".

    Segundo as palavras do pesquisador chefe do Centro de estudos coreanos do Instituto do Extremo Oriente, Yevgeny Kim, a ascensão de Kim Yo-jong começou muito antes do que a imprensa reporta. Ele acha que, no futuro, Kim Yo-jong servirá de suporte ao seu irmão. 

    "Ela não é uma novata e já acumulou muita experiência. Ela entende como funciona a economia e sistema de administração estatal. Ainda durante o governo do seu pai, Kim Jong-il, ela foi nomeada para o Comitê Nacional de Defesa, que é um dos órgãos mais importantes no país", disse o especialista à emissora russa RT.

    O acadêmico aposta que Kim Yo-jong será a responsável pelo lado "soft power" na política interna do país.

    Desde a década de 1950, a Coreia do Norte é governada pela "dinastia" dos Kim, apesar de, formalmente, o país se declarar um regime republicano. Durante mais de meio século dos Kim no poder, os cargos mais altos no governo já foram ocupados por muitos parentes do chefe de Estado.

    Uma mulher jovem no centro do poder, entretanto, é um evento raro na cena política de Pyongyang.

    Em 2011, após a morte de Kim Jong-il, a Coreia do Norte passou a ser liderada pelo Kim Jong-un. Em 2009, o irmão mais velho do atual chefe de Estado, Kim Jong-chul (nascido em 1981) abdicou das pretensões de liderança. Um outro "herdeiro" de Kim Jong-il, Kim Jong-nam (nascido em 1971), segundo autoridades da Malásia, foi assassinado em Kuala Lumpur em fevereiro deste ano.

    O cargo no Politburo, à qual Kim Yo-jong foi promovida, ja foi ocupado pelo seu tio, Jang Song-Thaek, que foi executado por traição em 2013.

    Segundo o especialista em Coreia do Norte da Universidade Johns Hopkins, Michael Madden, a recente nomeação de Kim Yo-jong para o centro político no país "demonstra que o seu papel é muito mais importante do que se acreditava, e é uma consolidação do poder da família Kim", citou o The Guardian.

    Madden também concluiu que a irmã do Kim Jong-un, na prática, se tornará a mão direita do irmão e terá um nível de influência muito alto.

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    Tags:
    poder, política interna, Partido dos Trabalhadores da Coreia, Kim Jong-un, Kim Yo-jong, Coreia do Norte
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