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    A nova ordem de sanções do presidente dos EUA, Donald Trump, e a ameaça de eliminar a Coreia do Norte “totalmente”, apenas encorajam Pyongyang a acelerar seu programa nuclear, disseram especialistas à Sputnik.

    Trump emitiu uma ordem executiva na quinta-feira que reforça a capacidade do Departamento do Tesouro dos EUA de monitorar indivíduos que fornecem materiais, serviços ou tecnologia para a Coreia do Norte. As sanções punitivas visam as indústrias têxteis, pescas e manufatureiras norte-coreanas.

    Em 19 de setembro, em um discurso perante a Assembleia Geral da ONU, Trump alegou que, enquanto os Estados Unidos possuem grande força e paciência, se forçados a se defender ou a seus aliados, a nação não teria escolha senão "destruir totalmente" a Coreia do Norte.

    Trump também chamou o líder norte-coreano Kim Jong-un de "Homem Foguete" e o acusou de estar em uma "missão suicida para si e para o seu regime".

    Aceleração nuclear

    Kim Jong-un usará as reivindicações provocativas de Trump como um catalisador para acelerar o desenvolvimento de um míssil balístico intercontinental (ICBM, na sigla em inglês) capaz de levar uma ogiva nuclear que pode chegar aos Estados Unidos, disseram especialistas a Sputnik.

    "Isso fará com que Kim fique mais convencido de que uma arma nuclear é a única maneira de garantir sua segurança nacional", disse o diretor do Centro de Pesquisas Ásia-Pacífico Walter H. Shorenstein da Universidade de Stanford, Dr. Gi-Wook Shin.

    Consequentemente, ele acrescentou: a Coreia do Norte continuará com seu desenvolvimento nuclear e de mísseis e, uma vez que eles consigam o que eles querem ou precisam — a capacidade nuclear com um ICBM —, eles pedirão aos Estados Unidos que negociem.

    "Os EUA e a Coreia do Sul terão que tomar outra decisão difícil, quer negociar com a Coreia do Norte nuclear ou continuar pressionando com sanções", disse o professor.

    A Coreia do Norte retirou-se do Tratado sobre a Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP) em 2003 e afirmou que realizou seu primeiro teste nuclear subterrâneo em outubro de 2006.

    Estratégia de Pyongyang

    A maior ameaça ao controle de Kim Jong-un sobre a Coreia do Norte seria se curvar à pressão norte-americana e internacional para renunciar ao seu programa nuclear. Sua principal política nacional é nunca capitular para qualquer poder externo, seja Estados Unidos ou China, um especialista regional canadense ponderou.

    Teste de míssil norte-coreano Hwasong-12
    © REUTERS / Agência Central de Notícias da Coreia do Norte (KCNA)

    "O equilíbrio político dentro da Coreia do Norte é dependente de não capitular para qualquer poder estrangeiro, seja ele dos EUA ou da China", disse o presidente do Departamento de Estudos da Ásia Oriental, André Schmid, à Sputnik. "Capitular seria indiscutivelmente o maior risco para o poder pessoal de Kim Jong-un".

    E o que acontece quando e se a Coreia do Norte obtenha um ICBM de potência nuclear totalmente capaz, o especialista se perguntou retóricamente.

    "Ninguém sabe o que acontecerá após um ICBM capaz de carregar armas nucleares, incluindo possivelmente dentro da Coreia do Norte", acrescentou Schmid. "É a mesma incerteza que está subjacente à crescente tensão".

    Tecnicamente, os Estados Unidos e a Coreia do Norte ainda estão em estado de guerra. Em 27 de julho de 1953, as duas nações assinaram um armistício para cessar as hostilidades até encontrar uma solução pacífica.

    Na sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, apelou às "cabeças quentes" dos EUA e da Coreia do Norte para reduzir a retórica de provocações, porque desencadear uma guerra na Península da Coreia seria inaceitável.

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    Tags:
    Tratado sobre a Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP), sanções econômicas, guerra nuclear, míssil balístico intercontinental, programa nuclear, icbm, André Schmid, Gi-Wook Shin, Sergei Lavrov, Kim Jong-un, Donald Trump, Estados Unidos, Península da Coreia, Coreia do Sul, Coreia do Norte
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