04:42 23 Outubro 2019
Ouvir Rádio
    Lançamento de míssil balístico da Coreia do Norte

    Por que Coreia do Norte não atacou Guam e lançou míssil sobre o Japão?

    © REUTERS / KCNA
    Ásia e Oceania
    URL curta
    Míssil de Pyongyang sobrevoa Japão (29)
    21374
    Nos siga no

    Nesta terça-feira (horário local) a Coreia do Norte lançou um míssil balístico que, depois de sobrevoar o espaço aéreo japonês, caiu no Oceano Pacífico, cerca de 1.180 quilômetros ao leste da ilha japonesa de Hokkaido.

    Por que Pyongyang disparou o projétil na direção do Japão, e não da ilha de Guam, como ameaçou durante as últimas semanas? Será que o Japãp consegue de proteger dos mísseis norte-coreanos?

    Japão blefa, quando diz poder interceptar mísseis da Coreia do Norte

    Estima-se que o míssil norte-coreano tenha sobrevoado cerca de 2.700 quilômetros e que atingiu altura máxima de 550 quilômetros. O ex-comandante da Força de Defesa Aérea da Rússia, general Aleksandr Gorkov, disse ao jornal russo Vzglyad que esses parâmetros representam "um recorde para os mísseis balísticos norte-coreanos". Segundo ele, isso pode significar que Pyongyang vez grandes progressos no desenvolvimento de seus mísseis.

    O ministro da Defesa do Japão, Itsunori Onodera, declarou depois do lançamento que o seu país poderia ter derrubado o míssil norte-coreano, mas não o fez porque não havia risco de queda no território japonês.

    Gorkov, no entanto, afirmou que o Japão estaria blefando pois, segundo ele, é praticamente impossível derrubar esse tipo de míssil com os sistemas atualmente implantados no Japão.

    Se Coreia do Norte continuar sendo provocada, mísseis podem ser disparados contra Guam

    O ministro das Relações Exteriores do Japão, Taro Kono, declarou que o lançamento do míssil norte-coreano na direção leste, e não contra Guam, mais ao sul, demonstra um "recuo" de Pyongyang, após as advertências dos EUA. 

    De acordo com Andrei Lankov, especialista em Coreia do Norte e professor da Universidade Kookmin em Seul, isso até pode ser verdade. Segundo ele, entretanto, isso não significa que a ilha de Guam não seja mais o alvo. Ainda mais se a Coreia do Norte continuar sendo provocada.

    Lankov acredita que, mesmo que não haja "ameaça imediata de guerra", o momento é "realmente muito perigoso". Os EUA poderiam considerar o lançamento de um míssil como "o início de um ataque real". Ainda mais pelo fato da Coreia do Norte ter criado a reputação de um regime imprevisível.

    Mísseis primeiro, negociações depois

    Segundo o especialista sul-coreano, Meng Chu-sok, o mais recente lançamento de míssil por Pyongyang demonstrou que a Coreia do Norte tem capacidade de atacar Guam. Segundo ele, a distância sobrevoada pelo míssil seria "suficiente para atingir a base dos EUA" na ilha do Pacífico.

    Na opinião de Chu-sok, o lançamento também prova que Pyongyang pretende "completar a criação de um arsenal nuclear e de mísseis" para usar "como moeda" nas negociações com os Estados Unidos e seus aliados.

    Tema:
    Míssil de Pyongyang sobrevoa Japão (29)

    Mais:

    'E se Godzilla emergisse do mar e jogasse míssil de volta na Coreia do Norte?'
    Pyongyang: Coreia do Norte não teme nem sanções nem ameaças militares dos EUA
    Opinião: Coreia do Norte dispara míssil para provocar EUA
    Situação na Coreia do Norte recorda barril de pólvora, diz parlamentar russo
    Tags:
    mísseis, Meng Chu-sok, Andrei Lankov, Aleksandr Gorkov, Guam, Coreia do Norte, Japão
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar