00:44 19 Fevereiro 2018
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    Soldado norte-coreano perto do veículo que conduz um míssil

    'Americanos vão tremer': como lançamentos norte-coreanos assustaram Washington

    © REUTERS/ Damir Sagolj
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    Manobras irritam Pyongyang (20)
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    Coreia do Norte realizou mais uma série de lançamentos de mísseis. Todo mundo está esperando uma resposta dos EUA, mas, aparentemente, Washington está confusa.

    Kim Jong-un passou a respeitar os EUA?

    Parecia que a tensão entre Washington e Pyongyang estava em declínio: as manobras conjuntas da Coreia do Sul e EUA começaram há quase sete dias, mas a guerra ainda não começou. Trump até declarou que Kim Jong-un "começou a respeitar os EUA" e "provavelmente, isso levará a algo de bom". Aparentemente, Donald Trump falou assim porque acredita que o líder norte-coreano, que cancelou os lançamentos contra Guam, ficou assustado, decidiu se retirar e fazer as pazes.

    No entanto, escreve Gevorg Mirzayan, professor do Departamento de Ciências Políticas da Universidade de Finanças do Governo da Rússia, Kim Jong-un mostrou aos americanos o grau de seu "respeito". A Coreia do Norte efetuou manobras em que "conquistou" ilhas sul-coreanas. Para além disso, Pyongyang lançou três mísseis de curto alcance para as águas do mar do Japão (mar do Leste).

    De acordo com Mirzayan, muitos analistas estão seguros que a situação na península coreana está sob controle, pois Pyongyang tem uma análise muito boa sobre o mundo ocidental, o que permite compreender onde estão as linhas vermelhas que não podem ser ultrapassadas.

    Vivam com medo

    Esse sistema foi viável no passado, nos anos em que a Coreia do Norte ainda não tinha armas nucleares. Hoje, a situação mudou. "Os americanos têm que viver em medo permanente", afirmam na Coreia do Norte, "os americanos vão tremer." É muito difícil não acreditar nestas palavras: Pyongyang dá a entender que está elaborando um míssil capaz de atingir o continente norte-americano.

    Por isso, destaca o cientista político, os EUA não podem simplesmente voltar à estratégia de paciência estratégica começada no governo de Obama. Começa a era da impaciência estratégica. A administração dos EUA tem que empreender passos ativos para resolver a crise norte-coreana, e claro que não se trata de passos militares, frisa Mirzayan.

    Não tem de gritar, tem de falar

    A Rússia e China estavam contra a pressão sobre a Coreia do Norte, mas devido ao comportamento de Kim Jong-un foram obrigadas a aprovar as sanções do Conselho de Segurança da ONU, mesmo considerando essas medidas como ineficazes.

    Mas os EUA acreditam que para contornar as sanções Pyongyang está usando empresas em Singapura, para além disso, Washington está implementando seu próprio pacote de sanções, essas medidas punem empresas chinesas que têm laços comerciais com a Coreia do Norte.

    Mas será que estas medidas ajudarão? Sim, considera o analista, os EUA podem encarregar Pequim de "resolver o problema que ela própria criou". Mas todos compreendem que a crise nuclear da Coreia do Norte está no quadro das relações entre Pyongyang e Washington.

    Por isso, continua Mirzayan, a Trump é proposta uma variante mais eficaz, que é o diálogo direto com a Coreia do Norte, sem nenhumas condições prévias, negociações apenas sobre os mísseis e armas nucleares. Será que Trump, ou melhor, o Congresso, está preparado para o diálogo com um país liderado por um "maníaco", um país em que "não pode se acreditar"? É uma questão retórica, resumiu o cientista político.

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    Tags:
    crise coreana, mísseis, Donald Trump, Kim Jong-un, China, Rússia, EUA, Coreia do Sul, Coreia do Norte
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