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    O presidente dos EUA, Donald Trump acredita que uma retirada rápida das tropas norte-americanas dos Afeganistão é inaceitável. Nessa conexão, o especialista político Mikhail Sinelnikov-Orishak comenta a nova estratégia dos EUA quanto a esse país ao serviço russo da Rádio Sputnik.

    Em 22 de agosto, o presidente norte-americano, Donald Trump, rejeitou uma retirada rápida das tropas estadunidenses desse país asiático, declarando que assim se criaria um vazio do qual poderiam beneficiar os terroristas do Daesh e Al-Qaeda (organizações terroristas proibidas em muitos países, incluindo a Rússia).

    Uma saída repentina das Forças Armadas estadunidenses do país asiático seria um erro e daria mais força aos terroristas, declarou o presidente falando na base militar de Fort Myers, na Virginia.

    Além disso, o presidente norte-americano declarou que as competências dos militares estadunidenses no Afeganistão serão aumentadas.

    "O pior ataque terrorista da nossa história de 11 de setembro foi planejado e dirigido a partir do Afeganistão, pois esse país era governado por autoridades que abrigavam os terroristas", sublinha o presidente dos EUA.

    A presença dos EUA no Afeganistão data de outubro de 2001, semanas após os ataques de 11 de setembro contra as Torres Gêmeas em Nova York. No passado, Trump repetiu diversas vezes que a guerra já havia custado muito dinheiro e muitas vidas ao país, e que era preciso que a Casa Branca retirasse suas forças militares.

    Atualmente, os EUA mantêm no Afeganistão um contingente militar que atinge cerca de 8.400 militares, mas o Pentágono recomenda enviar mais 3.900 militares ao país. Mas no futuro, os EUA não planejam revelar ao público informações ligadas ao número de seus militares envolvidos na luta contra o terrorismo.

    Segundo dados oficiais do Pentágono, os EUA perderam 2.264 militares e civis, mais de 20 milhares de norte-americanos foram feridos nesse país.

    A nova estratégia dos EUA no Afeganistão não ficou sem atenção e o serviço russo da Rádio Sputnik obteve um comentário sobre o assunto do especialista político Mikail Sinelnikov-Orishak.

    "É necessário acordar Trump urgentemente — ele, aparentemente, deixou passar tudo o que é interessante dormindo. Um dos objetivos dos EUA era a luta contra a Al-Qaeda e Osama bin Laden [seu chefe]. Quem eram eles naquele tempo senão terroristas?", destaca o especialista.

    Ele explica que, por esta razão, as declarações atuais de Trump "põem-no numa situação embaraçosa e mostram que esse homem entende pouco sobre essa região".

    Segundo as palavras do especialista, essa ignorância "foi demonstrada quando o presidente dos EUA ordenou atacar o território afegão com a bomba superpotente". Ao mesmo tempo, o cientista político acredita que Trump não percebe a estranheza dessa ação, quando o "Estado mais avançado do mundo utiliza sua bomba superpotente contra um país da Idade Média (oficialmente o Afeganistão vive no ano de 1396)".

    Lançamento de maior bomba não nuclear dos EUA no Afeganistão, 13 de abril de 2017
    © REUTERS / Força Aérea dos EUA
    Lançamento de maior bomba não nuclear dos EUA no Afeganistão, 13 de abril de 2017

    Entretanto, o especialista chama atenção para a maneira estadunidense de conduzir a guerra no Afeganistão:

    "A estrutura das forças lá colocadas é muito interessante…. Mas uma das artimanhas é que os combates no Afeganistão são realizados por empresas militares privadas."

    O especialista explica que essas empresas são responsáveis pelas operações militares mais importantes e por esta razão o Pentágono oficialmente não sofre muitas baixas (as baixas oficiais parecem pequenas).

    Além disso, Sinelnikov-Orishak opina que "os norte-americanos não planejam abandonar esse território. Tendo em conta as declarações de Trump, me parece que eles vão ficar lá durante todo o seu mandato [de Donald Trump]".

    O especialista também considera interessante a futura reação do Talibã quanto à nova estratégia dos EUA, mas como já se sabe o movimento talibã ameaçou os EUA de transformar o Afeganistão em um "cemitério para os militares estadunidenses".

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    Tags:
    estratégia, presença militar, bomba, combate ao terrorismo, ataque terrorista, 11/9, Al-Qaeda, Talibã, Osama bin Laden, Donald Trump, Nova York, Afeganistão, EUA
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